Torcida faz a diferença e Mato Grosso do Sul larga na frente no Brasileiro Sub 21
Larissa Farias (44kg), Yuri Lourenço (55kg), Layana Colman (52kg) e Mariana Veiga (70kg) faturam ouro para a Federação anfitriã. Rio Grande do Sul com três e São Paulo com duas de ouro completam o pódio.
O primeiro dia do Campeonato Brasileiro Sub 21 que está sendo disputado em Campo Grande teve a definição de seis categorias. Sob os olhares de diversas personalidades do judô e da política e da comissão técnica das equipes de base, o Mato Grosso do Sul aproveitou a força do seu judô feminino de base para largar na frente. Dos 12 ouros em disputa neste sábado, 17 de maio, os judocas sul-mato-grossenses faturaram quatro. Os campeões foram Larissa Farias (44kg), Yuri Lourenço (55kg), Layana Colman (52kg) e Mariana Veiga (70kg). Mas o fato de ter a torcida por perto não foi visto da mesma maneira por todos os campeões. Layana Colman, por exemplo, carregava o peso do favoritismo por ser a única medalhista do Estado em Mundiais. Ela faturou o bronze no Mundial Sub 18 de Miami no ano passado.
“Para mim foi dificílimo lutar em casa. Meus pais nunca tinham me assistido lutar um campeonato grande como o Brasileiro. Antes da competição chorei muito, estava um pouco nervosa com a pressão. Mas quando entrei no tatame esqueci tudo e foquei na luta”, disse Layana Colman, que teve a responsabilidade de fazer o juramento do atleta e recebeu uma homenagem pela maior conquista de sua carreira na cerimônia de abertura.
Contudo, Yuri Lourenço, único homem do Mato Grosso do Sul a chegar ao alto do pódio, viu de maneira positiva a boa presença do público no ginásio do Colégio Dom Bosco. Mais do que isso, acreditou que a torcida foi fundamental para o título.
“Ter torcida em casa me ajudou muito, foi uma motivação a mais pela energia positiva que senti vindo das arquibancadas. Além disso, acho que outro diferencial foi que encarei cada luta como se fosse uma final e não me intimidei por enfrentar atletas mais conhecidos ou de Estados com mais tradição”, disse o campeão dos superligeiros.
O Mato Grosso do Sul faturou ainda mais quatro medalhas de bronze. Logo da Federação de Judô do Mato Grosso do Sul, vem a Federação Gaúcha que faturou três ouros, uma prata e três bronzes. Os títulos vieram com Rodrigo Lopes (60kg), Rafael Macedo (81kg) e Clóvis Braga Júnior (90kg).
“É uma alegria muito grande conquistar esse brasileiro, principalmente pelos pontos que vou somar para o ranking. Mesmo no primeiro ano como junior, quero muito ir pro Pan e pro Mundial. Foi uma decisão difícil largar a família, mudar de cidade mas é uma honra treinar com o Kitadai, o melhor do Brasil na minha categoria, e com o sensei Kiko”, disse Rodrigo Lopes que saiu do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Sul no começo do ano. Antes do Brasileiro, ele havia sido vice-campeão do Troféu Brasil.
São Paulo completa o pódio do primeiro dia na terceira posição com duas de ouro, quatro de prata e quatro de bronze. No total, é a Federação com mais medalhas com 10. Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul faturaram sete cada um. E coube também às mulheres colocarem os paulistas na terceira posição: os ouros vieram com Nathália Mercadante (48kg) e Flávia Gomes (57kg). Flávia, reserva de Rafaela Silva e Ketleyn Quadros na seleção principal, rejeitou o rótulo de favorita e ressaltou a qualidade das adversárias, especialmente de Tamires Crude, vice-campeã do torneio.
“Acredito que todas as adversárias que estão aqui tem qualidade. Não considero muito essa coisa de favoritismo. Entrei no tatame preocupada em fazer o meu judô, estava bem concentrada. Eu e a Tamires temos nos enfrentado bastante em lutas decisivas e foi uma luta dura como eu esperava. Mas eu estava com muita vontade e sabia o que queria”, disse Flávia Gomes.
Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco conquistaram um ouro cada um e são o quarta, quinto e sexto colocado respectivamente. Além deles, outras dez Federações chegaram ao pódio: Paraná, Amazonas e Ceará conseguiram uma medalha de prata cada; e Santa Catarina, Espírito Santo, Distrito Federal, Paraíba, Bahia, Amapá e Alagoas conseguiram um bronze cada.
Uma das medalhas mais comemoradas foi a Fernando Ramos (MG), que conseguiu o ouro entre os atletas da categoria leve. O atleta não conteve as lágrimas ao final da luta e durante a premiação.
“Esse título significa muito pra mim porque venho batendo na trave há algum tempo, fico em terceiro, entro na pule e não consigo vencer... Foi meu primeiro título brasileiro. Vou tentar uma vaga no Pan ou no Sul-americano que são o meu sonho”, disse Fernando.
A competição chega ao fim neste domingo com as disputas das categorias meio pesado e pesado no masculino e no feminino. Os combates começam às nove da manhã no horário local, dez horas no horário de Brasília.