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12/02/2014 15:42:18
Seleção Brasileira - Base

Gabriel Oliveira encontra seu lugar no Arco do Triunfo

Atleta brasileiro ficou surpreso ao se deparar com seu sobrenome do meio, Rusca, em uma das pilastras do monumento.

Gabriel Oliveira encontra seu lugar no Arco do Triunfo

Uma estadia prolongada em Paris implica em alguns certos passeios e visitas obrigatórias, ainda que você esteja na cidade para ‘pegar pesado’ no tatame durante os treinamentos de campo com as equipes Júnior e Sênior da seleção brasileira, bem como com os outros atletas que disputaram o Grand Slam de Paris no último final de semana. A Cidade-Luz entrega seu mapa de turismo aos que chegam e logo tratam de procurar os pontos indicados quase naturalmente pela aura parisiense, como que num rito de passagem para alguém dizer que conheceu verdadeiramente a capital francesa. No caso da equipe brasileira Júnior de judô, os passeios são parte do programa da comissão multidisciplinar, que julga fundamental dar aos atletas mais jovens uma bagagem cultural que possa ser útil para o futuro.

“O principal objetivo é o desenvolvimento técnico e competitivo. No entanto, o nosso papel nas equipes de base é ainda mais amplo. Nem todos que passam pelas nossas seleções serão grandes campeões e, por este motivo, assumimos também a responsabilidade de contribuir com uma formação de pessoas melhores. E quando conseguimos unir esses dois resultados, pessoas melhores e atletas campeões, estamos cientes de que estamos no caminho certo”, falou o gestor das equipes de base da CBJ, Kenji Saito.

Na noite do último sábado (8/2), o atleta Gabriel Rusca Oliveira teve uma grata surpresa enquanto conhecia um dos pontos turísticos mais famosos de Paris, o Arco do Triunfo: encontrou seu sobrenome do meio entre os 660 que estão talhados nas quatro pilastras do monumento inaugurado em 1836.

“Fiquei muito feliz e principalmente surpreso em saber que tenho como antepassado um homem tão importante para a história da França. Espero ser reconhecido como ele, no futuro, pelo que fizer na vida e no judô”, disse um animado Gabriel ao saber de quem se tratava seu provável ascendente. \"Sabia que minha família vinha do Leste Europeu, mas a ligação com a França é novidade para mim\", completou.

Jean-Baptiste Dominique Rusca:

O nome ‘Rusca’ em questão é em memória do General Jean-Baptiste Dominique Rusca (27/11/1759 – 14/2/1814), um médico nascido em Nice, na Sardenha, e que acabou exilado da França pelos ideais compatíveis a Revolução Francesa.

Voltou após a Queda da Bastilha, em 1789, e se juntou ao exército com notoriedade em 1793, quando foi o responsável pelos cuidados médicos aos combatentes do Cerco de Toulon, que entrou para a história como a primeira grande vitória do então capitão de artilharia Napoleão Bonaparte. Nomeado comandante de um batalhão de sapeiros, tornou-se homem de confiança do futuro imperador, que, em seguida, designou-o para duas frentes que os franceses consideravam cruciais: os Exércitos da Itália e dos Pirineus Orientais - ambos sob a égide francesa, mas que ficavam responsáveis pelas regiões - onde conseguiu importantes vitórias, como na Catalunha (1793-95). Em 1796, alcançou o posto de general e continuou a comandar exércitos, especialmente contra pelotões austríacos e de resistência italiana na região da Sardenha-Piemonte, nos anos subsequentes. Rusca é comandante pela Ordem Nacional da Legião de Honra, a maior condecoração possível para nascidos na França.

Morreu em 1814, na cidade de Soissons, na França, durante a Guerra da Sexta Coligação, que determinaria o final da primeira e mais longa fase do Império Napoleônico.

Nomes talhados no Arco do Triunfo:

Ordenado por Napoleão, o Arco do Triunfo foi projetado por Jean-Francois-Therese Chalgrin e começou a ser construído em 1806. Porém, com a queda do imperador, em 1814, as obras foram canceladas até 1833, quando recomeçaram, terminando três anos depois. Originalmente, 384 nomes foram gravados no monumento, com os outros 276 tendo sido incluídos nos anos seguintes, até 1895. Dos 660 homenageados, 558 são generais do exército francês e todos contribuíram fortemente com a França revolucionária ou napoleônica. Os nomes de 128 batalhas vencidas pelos exércitos do país também estão talhados nas pilastras. Vitórias como as da Guerra Franco-Prussiana, Primeira Guerra Mundial e a Reconquista na Segunda Grande Guerra, foram comemoradas debaixo do Arco, um símbolo da força francesa.

O nome de Rusca está escrito na pilastra sul, coluna 25, um pouco abaixo do ‘Ls Bonaparte’, de Luís Bonaparte, general francês que se tornou rei da Holanda, e era irmão de Napoleão Bonaparte e pai de Luís-Napoleão Bonaparte, primeiro e último imperadores da França, respectivamente.

A equipe segue treinando em Paris até a próxima sexta-feira (14).

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