Daniel Cargnin é vice-campeão e Shirlen Nascimento leva o bronze no Campeonato Mundial de Judô
Brasileiros fizeram dobradinha no terceiro dia de competição, neste domingo (15), em Budapeste
O Brasil viveu um dia memorável no Campeonato Mundial de Judô e teve seus dois representantes subindo ao pódio! Neste domingo (15), em Budapeste, Daniel Cargnin sagrou-se vice-campeão mundial, levando a prata do -73kg, e Shilen Nascimento, estreante na competição, faturou um dos bronzes do -57kg. Essas foram as primeiras medalhas do país na competição, que ainda teve um quinto lugar com Michel Augusto (-60kg), na sexta-feira (13).
Daniel Cargnin dá volta por cima em lesões para levar segunda medalha mundial da carreira
Após os Jogos Olímpicos de Paris 2024, Daniel Cargnin se afastou dos tatames por quase oito meses para tratar de lesões no tornozelo e ombro. Voltou a competir em abril deste ano, na Seletiva Nacional para o Campeonato Pan-Americano, onde foi campeão. Duas semanas, no continental, levou a medalha de prata no individual e o ouro na competição por equipes mistas.
No Mundial, o brasileiro chegou como 22º do ranking, precisando vencer, no mínimo, três lutas para chegar às quartas de final e sonhar com uma medalha na competição.
No primeiro confronto, ele teve pela frente o alemão Igor Wandtke, adversário que havia perdido na competição por equipes mistas em Paris. Mas, em Budapeste, a situação foi diferente. Cargnin entrou agressivo e, com menos de dois minutos, marcou um waza-ari e um ippon para avançar à segunda rodada, onde enfrentou Jahja Nurkovic, de Montenegro, e venceu com um yuko.
Nas oitavas, Cargnin travou uma batalha contra Akil Gjakova, do Kosovo, seu algoz nas disputas individuais de Paris 2024. O combate seguiu até mais de quatro minutos de golden score, com os dois pendurados nas punições, até o brasileiro intensificar o ritmo de entradas e fazer o adversário ser punido pela terceira vez por falta de combatividade. Vitória e vaga nas quartas de final.
Na luta, o desafio da vez foi contra o japonês Tatsuki Ishihara, atual número quatro do mundo e vice-campeão mundial em 2024. A dez segundos do fim, Cargnin conseguiu encaixar um yuko, só precisando segurar o placar até o fim do cronômetro. Já na semifinal, ele encarou o sérvio Bajsangur Bagajev, em um combate tenso decidido nas punições (3-0), no golden score.
Classificado à primeira final de Mundial no Sênior, já que já era campeão no Júnior, Cargnin lutou contra o francês Joan-Benjamin Gaba, atual vice-campeão olímpico. O brasileiro começou agressivo, forçando uma punição por passividade ao adversário. Depois, levou uma punição por pegada irregular na perna, e manteve a luta empatada até o fim do término regulamentar. No golden score, ele acabou sendo projetado em waza-ari e ficou com a medalha de prata na principal competição do ano.
Daniel Cargnin é duas vezes medalhista olímpico e, agora, duas vezes medalhista em Mundial. Em 2022, ano em que subiu oficialmente de categoria, do -66kg para o -73kg, foi bronze em Tashkent e, agora em 2025, prata em Budapeste.
O judô brasileiro não participava de uma final de mundial no masculino há oito anos. A última foi na mesma Budapeste, em 2017, e David Moura (+100kg) também ficou com a prata.
“A gente costuma dizer que o Mundial, às vezes, é até mais difícil que a própria Olimpíada, porque pode dobrar algumas categorias. Eu acho que, em relação a Los Angeles, agora é manter o pé no chão. No ciclo passado, quando eu medalhei no Mundial, eu já pensei em medalhar na Olimpíada também. Eu estava pensando só no futuro e não aproveitava os momentos do presente, sabe? Então eu acho que agora é aproveitar essa medalha de prata. Eu acabei de perder a disputa ali, a final, mas é muita felicidade pela postura que eu tive dentro do tatame. Eu acho que tenho que me manter resiliente, porque as derrotas não podem ser o fim do mundo e a vitória também não pode ser o motivo de parar de treinar. Agora é colocar a cabeça no lugar para tentar ajudar a equipe o máximo possível na competição por equipes”, disse o brasileiro, que representa a Sogipa.
Shirlen Nascimento impressiona em estreia mundial e leva o bronze no feminino
O -57kg é, tradicionalmente, uma das categorias mais fortes do judô brasileiro em Campeonatos Mundiais. E essa escrita continuou em Budapeste, com um nome que o mundo ainda não estava acostumado a escutar: Shirlen Nascimento.
A paranaense de 25 anos, natural de Toledo, começou a trilhar no cenário internacional no fim de 2024, no Grand Slam de Abu Dhabi, onde foi medalhista de bronze. A competição foi o início da estrada até o Mundial 2025. O bronze a classificou para a Seletiva Nacional; a Seletiva lhe garantiu vaga para o Campeonato Pan-Americano, onde foi campeã; o desempenho no Pan-Americano abriu portas para o Grand Slam de Astana, onde foi bronze; e a medalha na capital cazaque, por fim, a fez ser convocada para Budapeste.
No Mundial, o sorteio colocou a brasileira para enfrentar a coreana Mimi Huh, atual vice-campeã olímpica e campeã mundial, logo na primeira rodada. Mas, Shirlen entrou ligada e conseguiu anular o jogo da adversária, não dando chances e conseguindo jogá-la em waza-ari, o que a deu a vitória na luta. Em seguida, nas oitavas, a atleta do SESI São Paulo teve pela frente Yu-Chieh Yang, de Taiwan, e passou com um waza-ari nos segundos finais.
Nas quartas, veio o único revés do dia, contra a japonesa Momo Tamaoki, que mais tarde ficaria com a medalha de prata. Shirlen sofreu com a forte luta de solo da adversária, e acabou imobilizada por vinte segundos até o ippon, precisando ir à repescagem. Na luta, enfrentou a sérvia Marica Perisic, sexta do mundo e um dos nomes fortes da categoria. A sete segundos do fim, ela encaixou uma bela técnica de ashi que fez com que Perisic caísse de costas no chão. Ippon e vaga na disputa de bronze.
A luta final para a brasileira foi a primeira do bloco final de disputas, contra Maysa Pardayeva, do Turcomenistão. No golden score, Shirlen primeiro projetou a adversária em yuko, que foi retirado pela arbitragem. Mas, no hajime seguinte, marcou uma nova pontuação, dessa vez um waza-ari, para finalizar o combate e garantir a medalha de bronze.
Esse foi o primeiro Campeonato Mundial de Shirlen, e a primeira medalha.
“Eu peguei uma chave dura, logo no começo. Só que todo mundo me deu as dicas do que fazer, então pareceu até que foi um pouco fácil. Mas eu acho que eu sempre venho me esforçando muito, e uma hora o resultado vem. Eu acho que eu estou num momento muito bom, eu venho melhorando a cada dia. Estou tendo muita ajuda também, o pessoal vem me ajudando bastante”, disse Shirlen.
As disputas do Campeonato Mundial de Judô continua nesta segunda-feira (16), e o Brasil terá quatro representantes: Nauana Silva (-63kg) e Rafaela Silva (-63kg), no feminino, e Gabriel Falcão (-81kg) e Luan Almeida (-81kg), no masculino.
As preliminares começam às 6h (horário de Brasília), com o bloco final a partir das 13h. Cazé TV, Canal Olímpico do Brasil e Sportv transmitem ao vivo.