CBJ homenageia Ketleyn Quadros durante a Seletiva Nacional Sênior
Medalhista olímpica anunciou a aposentadoria das competições após mais de duas décadas representando a Seleção Brasileira
A Seletiva Nacional Sênior foi marcada por um momento de emoção e reconhecimento. Após anunciar sua aposentadoria das competições, Ketleyn Quadros recebeu uma homenagem da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), encerrando um ciclo de mais de 20 anos dedicados à Seleção Brasileira.
Como forma de celebrar sua trajetória, a CBJ entregou uma placa em reconhecimento à contribuição da atleta para o judô nacional. A homenagem foi conduzida pelo presidente da entidade, Paulo Wanderley Teixeira, e contou ainda com a presença de Luiz Bayard, presidente da Federação Gaúcha de Judô; Marcelo Bervian, presidente da Sogipa; e das treinadoras Andréa Berti e Rosicleia Campos.
Ao entregar a homenagem, Paulo Wanderley relembrou o momento histórico vivido ao lado de Ketleyn nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e destacou o legado deixado pela atleta.
"Para mim, é um privilégio, porque tive a honra de estar em Pequim 2008, quando a Ketleyn subiu ao pódio para receber sua medalha. A CBJ reconhece uma trajetória marcada por dedicação, resiliência e pioneirismo. Como a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica em um esporte individual, ela abriu caminhos, inspirou gerações e deixou um legado para o nosso esporte. Agradecemos por representar o Brasil com excelência dentro e fora dos tatames. Seu nome ficará para sempre gravado na memória e no coração do judô brasileiro."
Além da placa, Ketleyn também recebeu um buquê de flores das senseis Rosicleia Campos e Andrea Berti, profissionais que tiveram papel fundamental em sua trajetória no alto rendimento.
Emocionada, a medalhista olímpica agradeceu a homenagem e fez questão de dividir o reconhecimento com todas as pessoas que fizeram parte de sua caminhada.
"É um prazer enorme receber essa homenagem. Um pedaço da história que existe em mim está aqui, e me sinto muito honrada e grata por fazer parte da história do judô. Sou grata aos clubes, aos atletas e aos profissionais que acreditaram em mim. Também agradeço às mulheres que vieram antes de mim e começaram quando ainda não podiam. Eu cheguei em um momento em que muitas portas já haviam sido abertas. Minha geração teve mais oportunidades do que a anterior e me sinto privilegiada por isso. Houve muito sacrifício ao longo dessa caminhada, mas quero dizer aos atletas que estão competindo hoje: vale muito a pena. Sei que esta homenagem leva o meu nome, mas ela é uma conquista de todos”.
Relembre a trajetória de Ketleyn Quadros
Nascida em Ceilândia (DF), Ketleyn Quadros iniciou sua trajetória no judô aos sete anos de idade, conciliando os treinos com a natação. Aos 12 anos, decidiu dedicar-se exclusivamente à modalidade.
Nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, conquistou a medalha de bronze e entrou para a história como a primeira mulher brasileira a subir ao pódio olímpico em um esporte individual.
Ao longo de quase duas décadas defendendo a Seleção Brasileira, também representou o país nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e Paris 2024. Na capital francesa, integrou a equipe que conquistou a histórica medalha de bronze na competição por equipes mistas.
Em Jogos Pan-Americanos, faturou o bronze individual e a prata por equipes em Santiago 2023. Nos Campeonatos Mundiais, conquistou uma medalha de prata e duas de bronze, todas na disputa por equipes.
Ao longo da carreira, Ketleyn disputou mais de 400 combates internacionais e conquistou 43 medalhas, oito delas em etapas de Grand Slam. Entre os principais resultados estão os títulos do Grand Slam de Brasília, em 2019, e do Grand Slam de Antalya, em 2023, consolidando uma das trajetórias mais longevas da história do judô brasileiro.