Em decisão brasileira, Érika Miranda conquista bronze para o Brasil no segundo dia de Mundial de Baku
Meio-leve venceu Jéssica Pereira na disputa pela medalha, seu quinto pódio em Mundiais e o primeiro do Brasil em Baku. Além de Jéssica, Daniel Cargnin também ficou em quinto
A brasileira Érika Miranda aumentou sua coleção de medalhas em Campeonatos Mundiais de Judô nesta sexta-feira, 21, ao conquistar um dos bronzes na categoria meio-leve (52kg). A decisão pela medalha foi contra outra brasileira, Jéssica Pereira, que ficou em quinto lugar em seu primeiro Mundial, assim como Daniel Cargnin (66kg). O bronze de Baku é o quinto pódio consecutivo de Érika em mundiais individuais, com uma prata e quatro bronzes. Com isso, Érika iguala-se à Mayra Aguiar em número de medalhas e as duas são as maiores medalhistas brasileiras em Mundiais de Judô.
Em Baku, seu 9º Mundial, Érika Miranda abriu o dia vencendo Katri Kakko, da Finlândia, na primeira luta, por ippon (2 waza-ari). Em seguida, enfrentou a eslovena Petra Nareks. Em luta mais equilibrada, a brasileira levou a melhor, forçando três punições à adversária e, assim, garantindo-se nas quartas-de-final do Mundial. Na terceira luta, Érika manteve a consistência e venceu Charline Van Snick, da Bélgica, por ippon (dois waza-ari) para chegar à semifinal.
O duelo contra a então campeã mundial, Ai Shishime, do Japão, foi o único revés de Érika na competição. Ela sofreu um waza-ari, regaiu forçando duas punições, mas não conseguiu pontuar e foi para a disputa do bronze, onde finalizou Jéssica Pereira por estrangulamento.
"A luta com a japonesa foi o momento mais difícil. É sempre nos pequenos detalhes. Hoje, eu queria mais um minuto de luta para poder fazer diferente. E quando você sai de uma derrota para poder buscar uma vitória é preciso estar com a cabeça no lugar. Por mais que eu já conhecesse minha adversária, que era a Jéssica, eu precisava manter a cabeça no lugar e ir até o final. A Jéssica estar na equipe mostra a força que o judô brasileiro está tendo com duas atletas chegando na disputa de medalha. Eu encarei a luta como se ela fosse qualquer outra adversária", explicou Érika que, mais uma vez, conquistou a primeira medalha do Brasil no Mundial. "Eu abri e agora vem mais medalhas para o Brasil. Tem mais dias de competição e ficarei aqui na torcida."
O pódio do 52kg teve dobradinha japonesa, em que Ai Shishime terminou com a prata passando a corôa de campeã mundial à novata Uta Abe, de apenas 18 anos. A francesa Amandine Buchard completou o pódio com o outro bronze.
Novatos ficam com quinto lugar
Antes de encarar Érika Miranda na disputa pelo bronze, Jéssica Pereira, abriu sua primeira participação em Mundiais adultos com vitória por ippon ao imobilizar a vietnamita Thuy Nguyen.
Nas oitavas, ela enfrentou a australiana Tinka Easton e logo abriu um waza-ari de vantagem. Nos segundo finais, Easton empatou o duelo e a decisão ficou para o golden score, onde Jéssica conseguiu a finalização fazendo a adversária bater para desistir do combate.
Nas quartas, a japonesa Uta Abe imobilizou Jéssica até o ippon e a brasileira foi para a repescagem, onde derrotou a israelense Gefen Primo por waza-ari e classificou-se para a disputa de bronze.
Entre os homens, o atual campeão mundial júnior do meio-leve (66kg), Daniel Cargnin, bateu o bósnio Petar Zadro em sua primeira luta em Baku. O brasileiro abriu um waza-ari de vantagem, mas cedeu o empate. No golden score, ele conseguiu uma projeção perfeita para vencer por ippon e avançar à segunda rodada.
Nessa fase, Cargnin encarou Nijat Shikhalizada e a torcida azeri. O brasileiro começou perdendo por um waza-ari, mas reagiu e empatou a luta no tempo normal. No golden score, Daniel se impôs e projetou Shikhalizada mais uma vez para silenciar a National Gymnastics Arena, em Baku, avançando às oitavas-de-final.
"Desde a primeira luta muita coisa aconteceu, muita pontuação. Eu gosto de lutar com atleta da casa. Na Geórgia fiz final com georgiano e senti um pouco o clima. Acho que aprendi um pouco com essa situação e consegui trazer para esse Mundial", avaliou Cargnin, lembrando de sua prata no Grand Prix de Tbilisi neste ano.
Contra Pavel Petrikov, Daniel foi mais rápido e venceu o tcheco por ippon (dois waza-ari) em menos de um minuto para se garantir nas quartas-de-final.
Daniel foi para cima do atual líder do ranking mundial, o israelense Tal Flicker, e fez o seu terceiro golden score na competição. Depois de seis minutos de batalha no tempo extra e com duas punições para cada lado, Flicker conseguiu pontuar com um waza-ari para se classificar à semifinal do Mundial. E Daniel foi para a repescagem.
O brasileiro recuperou-se da derrota nas quartas e superou o mongol Kherlen Ganbold por um waza-ari. Mas, na disputa pelo bronze, Daniel foi superado pelo atual vice-campeão olímpico Baul An, da Coreia do Sul, que pontuou com um waza-ari.
"Quinto lugar é complicado, mas acho que vou conseguir tirar coisas boas daqui", completou o judoca gaúcho de apenas 20 anos.
O título do meio-leve masculino ficou com o japonês Hifume Abe, que se conquistou o bi mundial ao lado de sua irmã, Uta Abe. A prata foi para Yerlan Serikhzanov, do Cazaquistão, e o outro bronze foi para Georgi Zantaraia, da Ucrânia.
Charles Chibana também lutou nesta sexta, mas parou na segunda rodada. Ele venceu o espanhol Alberto Gaitero em luta equilibrada que foi decidida na diferença de punições e no golden score. Em sua segunda luta, porém, Chibana foi superado pelo alemão Sebastian Seidl, que conseguiu pontuar com um waza-ari e administrou a vantagem até o final da luta.
"O adversário ficou esperando para contragolpear e foi o que aconteceu. Houve uma chance para eu poder jogar, tentei aproveitar, só que ele já estava esperando. Tentei ir para cima, jogar, meu estilo é esse. Mas, acabei errando", explicou Chibana ao sair do tatame. "Esporte é isso. Um dia ganhamos, no outro vencemos. Quem está no tatame está propenso a isso. O que a gente aprende no judô é levantar e prosseguir. É o que vou fazer", concluiu.
Rafaela Silva estreia neste sábado contra canadense
As disputas do Campeonato Mundial continuam neste sábado, 22, e a única representante do Brasil neste dia será a campeã olímpica Rafaela Silva. Ela estreia em Baku contra a canadense Jessica Klimkait.
Foto: Lara Monsores/CBJ