Voltar para o topo

Notícias

26/07/21 03:50

Cargnin: Meu sonho era medalhar em Tóquio, no Grand Slam. Veio na Olimpíada!

Primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro em Tóquio revela bastidores de sua conquista nos Jogos de Tóquio

Daniel Cargnin, bronze em Tóquio 2020. Foto: Gabi Juan Daniel Cargnin, bronze em Tóquio 2020. Foto: Gabi Juan

O sonho da medalha no Japão é um clichê do judô por toda a história da modalidade no país que criou o Caminho Suave. Mas, poucos são os judocas que, realmente, têm a oportunidade de subir ao pódio no país do judô. O jovem brasileiro Daniel Cargnin foi um dos que conseguiu o feito ao vencer o israelense Baruch Shmailov na disputa de bronze dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.  

“Eu sempre tive um sonho de medalhar aqui em Tóquio, mas era no Grand Slam. E veio logo numa Olimpíada”, comentou ainda surpreso com a própria façanha ao sair do sagrado tatame da Nippon Budokan, o templo do judô. “Eu tinha tanto isso na minha cabeça que, uma vez, eu vim lutar o Grand Slam aqui e perdi. Mas, naquela noite, eu sonhei que tinha ganhado e acordei muito feliz, por alguns segundos eu achava que tinha ganhado mesmo. Mas, era só o sonho. Hoje, quando estava no pódio, por um momento, desconfiei que poderia estar sonhando de novo. Mas, dessa vez, era verdade. A ficha não caiu ainda.” 

Desde o primeiro segundo que pisou no tatame, Daniel demonstrou atitude de campeão. Era perceptível seu foco no olhar e em cada movimento sobre o shiai-jo. Os adversários também perceberam e, um a um, sucumbiram a um Cargnin elétrico que distribuiu golpes e, em sua primeira participação, esbanjou segurança de um veterano.

Mas, nem sempre foi assim. Em muitos momentos, ele duvidou de si mesmo e teve o apoio necessário para persistir em busca de seu sonho.  

“No início eu não acreditava muito em mim. Mas, o professor Ney Wilson, o pessoal da comissão técnica sempre falava `eu acredito em ti na Olimpíada`. Às vezes não entendia isso. Mas, eu sou gaúcho, tenho a determinação e a garra”, brincou.  

Foi com muita garra que ele desbancou o então número um do mundo e vice-campeão mundial, Manuel Lombardo, da Itália, nas quartas-de-final, mostrando para todos que não veio a Tóquio a passeio.  

“Ele tem um estilo muito calmo, tranquilo e confiante no tatame. Eu sabia que precisava quebrar essa segurança dele de alguma forma logo nos primeiros minutos. E na última vez que lutamos eu ganhei dele, em Brasília. Ele sempre começa a luta dando um toque com a perna. Mas, dessa vez, ele não fez isso e eu percebi que tinha algo diferente, que talvez estivesse, pelo menos, me respeitando”, revelou ao descrever o combate com o italiano vencido pelo brasileiro com um waza-ari a poucos segundos do fim. 

Na semifinal, Cargnin manteve a agressividade contra o bicampeão mundial Hifume Abe, mas não superou o japonês, que conseguiu o ippon.  

No retorno à área de aquecimento após a primeira derrota no dia, Daniel tentou afastar pensamentos negativos e que lhe traziam dúvidas sobre como reagiria na disputa de bronze. Para isso, contou com a ajuda de um ídolo do esporte, o português Cristiano Ronaldo.  

“Na disputa de terceiro lugar, vai do céu ao inferno muito rápido. Ou fica com o bronze ou sai como quinto. Eu botei um videozinho do Cristiano Ronaldo, em que ele fala assim: “se tu não acreditar, pode não ser, mas se tu não acreditar, quem vai?”, conta. “Eu não estava focando no presente. Olhei para os meus pés, fiquei imaginando o sentimento de ganhar ou perder, mas eu estava ali. O vídeo me ajudou a ficar mais tranquilo.” 

Focado no presente, mas com boas lembranças do passado, Daniel ganhou ainda mais confiança para buscar a medalha. Lembrou que o adversário do bronze seria um israelense que ele havia vencido em 2020, no Grand Slam de Tel Aviv. 

“Nessa última luta eu pensei `esse cara lembra que da última vez que a gente lutou eu ganhei dele`. Eu tentei me motivar por ter perdido a semifinal”, relembra. 

E foi assim que a medalha chegou ao peito do brasileiro no melhor estilo judoca: mente, espírito e corpo forte. Firme e inteiro fisicamente, Daniel achou um waza-ari e segurou a vantagem durante longos dois minutos até ouvir o sore madê, o comando do árbitro que finaliza o combate.  

“Quando vi que faltavam três segundos, olhei para a arquibancada e vi o professor Ney comemorando. Só pensava que não podia fazer nenhuma m… naquela hora”, contou, divertindo-se com o próprio drama. 

O bronze de Daniel Cargnin consolida o processo de transição do jovem atleta que, em 2016 foi sparring no Rio, e cinco anos depois de muito trabalho, investimento e preparação chegou ao seu objetivo principal: a medalha olímpica.

Cargnin é atleta da Sogipa, de Porto Alegre, onde treina com o sensei Kiko Pereira; recebeu apoio da CBJ e COB desde as categorias de base, integrando as seleções sub-18 e sub-21 até conquistar seu espaço no time principal neste ciclo olímpico. Ele conta ainda com apoio do Governo Federal por meio da Bolsa Pódio e do Programa de Alto Rendimento das Forças Armadas integrado como sargento à Marinha do Brasil. 





Veja Também
28/10/21 15:58 Judocas brasileiros disputam Campeonato Mundial Militar, neste final de semana, em Paris 26/10/21 14:29 CBJ promove campanha de doação de sangue no Dia Mundial do Judô 25/10/21 12:31 Duas duplas representam o Brasil no Mundial de Kata a partir desta terça-feira, 26, em Lisboa 25/10/21 11:19 Brasil conquista 12 medalhas no Mundial de Veteranos disputado em Lisboa, Portugal 22/10/21 15:57 Rafaela Silva e Jéssica Pereira se enfrentam, neste domingo, em seletiva para o Brasileiro Sênior 20/10/21 23:50 Vence o Judô 20/10/21 08:11 ASSISTA AO VIVO - Campeonato Brasileiro de Judô - Sub-21 Feminino 17/10/21 11:48 Ellen Santana fica em quinto lugar, melhor resultado do Brasil no Grand Slam de Paris 15/10/21 15:02 Campeonato Brasileiro Sub-21 Feminino marca retorno das competições nacionais de Judô, na próxima semana 14/10/21 11:03 Seleção treina em Paris em preparação para o Grand Slam deste final de semana
PATROCINADOR MASTER
PATROCINADOR OFICIAL
FORNECEDOR OFICIAL
PARCEIROS DE MÍDIA
 
Apoio
Travel Ace Assistance
Siga-nos nas redes sociais
Confederação Brasileira de Judô
Horário de funcionamento: Segunda à Sexta das 9h às 18h
Rua Capitão Salomão, 40 - Humaitá - Rio de Janeiro - RJ / Brasil / CEP: 22271-040
Tel: 55 21 2463-2692 / Fax: 55 21 2462-3274
Website por RDWEB