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28/07/20 16:08

Luciano Corrêa se despede do Minas Tênis Clube e da FMJ após 20 anos de judô mineiro

Campeão mundial encerrou sua passagem por Minas Gerais para ficar perto da família, que mora em Recife

Luciano Corrêa atuou como atleta do Minas Tênis Clube de 2000 a 2017, quando se aposentou e ocupou o cargo de treinador da equipe Sub-18 do clube mineiro. Foto:Orlando Bento/Minas Tênis Clube Luciano Corrêa atuou como atleta do Minas Tênis Clube de 2000 a 2017, quando se aposentou e ocupou o cargo de treinador da equipe Sub-18 do clube mineiro. Foto:Orlando Bento/Minas Tênis Clube

Após 20 anos de história e uma gigantesca coleção de medalhas, o judoca Luciano Corrêa se despediu do Minas Tênis Clube e da Federação Mineira de Judô para ficar mais perto de sua família. Atualmente atuando como treinador, Luciano foi atleta do clube de 2000 a 2017, período no qual construiu uma brilhante carreira como judoca, onde se consagrou campeão mundial e bicampeão Pan-Americano. Porém, nesta segunda-feira, 27, o ex-atleta atleta anunciou publicamente o fim de sua passagem na equipe mineira, por meio de uma carta aberta em seu Instagram.

Representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e Londres 2012, Luciano encerrou sua carreira nos tatames em 2017, quando passou a atuar como técnico da equipe Sub-18 e assistente técnico da equipe principal do Minas.

“O clube me abraçou, acreditou no meu potencial, me forneceu estrutura e juntos conquistamos muitas coisas. Conquistamos também a capacidade de cair e levantar. No minas tênis clube ingressei na seleção brasileira, me tornei medalhista em campeonato mundial, perdi um grande amor na minha vida, recebi afeto de tantas pessoas, lutamos juntos e conquistamos o título no mundial de 2007”, relembrou Luciano.

O judoca sairá do clube para se mudar para Recife, local em que sua esposa mora com seu filho. Ele é casado com a nadadora Joanna Maranhão, que é atualmente gerente de esporte da prefeitura da capital de Pernambuco.

“Só mesmo o judô pra me fazer morar longe de minha família, era preciso um objetivo muito grande e o Minas me proporcionou isso. Sou uma pessoa muito ligada à família e é por ela que, hoje, infelizmente, sou obrigado a me despedir do Minas”, esclareceu o multimedalhista nacional e internacional.

Leia abaixo a carta aberta de Luciano Corrêa na íntegra

Difícil colocar em palavras 20 anos de história.

Cheguei no Minas Tênis Clube jovem, cheio de sonhos, em busca de uma medalha em campeonato mundial, uma medalha olímpica e nunca imaginei que o que Belo Horizonte me proporcionaria seria infinitamente maior do que qualquer conquista.

É tanto que não consigo falar sem me emocionar.

O clube me abraçou, acreditou no meu potencial, me forneceu estrutura e juntos conquistamos muitas coisas. Conquistamos também a capacidade de cair e levantar. No minas tênis clube ingressei na seleção brasileira, me tornei medalhista em campeonato mundial, perdi um grande amor na minha vida, recebi afeto de tantas pessoas, lutamos juntos e conquistamos o título no mundial de 2007.

São muitas histórias, muitas pessoas, impossível citar todas, vocês sabem quem são.

O Minas Tênis Clube é gigante, ele e as pessoas que trabalham, os treinadores, os atletas, os sócios, os dirigentes, são muitas histórias e muitos encontros. Me sinto privilegiado por ter feito parte disso.

Sou um eterno apaixonado pelo judô, passei infinitas madrugadas assistindo meus adversários lutando, estudando, ia pro tatame e queria mais, queria aprimorar minhas qualidades, evoluir na parte técnica. Não consigo dissociar minha vida do judô.

Só mesmo o judô pra me fazer morar longe de minha família, era preciso um objetivo muito grande e o Minas me proporcionou isso.

Sou uma pessoa muito ligada a família e é por ela que, hoje, infelizmente, sou obrigado a me despedir do Minas.

Tenho em mim muitos sonhos, muitos conquistei enquanto atleta, nunca sozinho, eu nunca lutei sozinho, nunca entrei no tatame sozinho. Junto comigo todos os companheiros de equipe, comissão técnica, amigos e familiares que acreditavam em mim, me motivavam pra que eu buscasse até o último segundo.

Após encerrar minha carreira como atleta de rendimento, esses sonhos foram transformados, tenho plena consciência do que o judô fez por mim e é por isso que me dedico tanto e acredito tanto em cada um dos atletas do Minas Tênis Clube.

Uns mais técnicos, outros mais fortes, uns mais disciplinados, outros menos, mas todos com potencial. E foi isso que busquei durante esse periodo enquanto treinador: tirar o máximo de cada um de vocês.

Eu acredito em cada um de vocês, eu acredito no potencial desse time, eu gostaria de permanecer nessa construção junto de meus companheiros de comissão.

Mas a vida tem dessas coisas. Após o nascimento de meu filho Caetano, eu e minha esposa tentamos de todas as formas lidar com a distância para que nem um e nem outro abrisse mão de seu compromisso e sua missão em seu trabalho. E acredito que fomos muito bem. Sou grato a ela por toda compreensão, pelos fins de semana em que não pude estar presente enquanto pai, porque estava junto aos atletas enquanto treinador.

Nesse momento, apesar de toda paixão e entrega pela nobre função de treinador a mim confiada, terei que descontinuar esse trabalho.

Chegou um ponto em minha vida, onde percebi que viver junto de minha esposa e filho, estar fisicamente presente durante seu crescimento é minha principal função.

Não posso terceirizar a criação de uma criança e tenho certeza que todos os pais que estão lendo esse relato concordam comigo.

É com o coração partido e já com muitas saudades que me despeço de vocês.

Acredito no potencial de cada um dos atletas, todos vocês podem mais do que já fizeram, é sempre possível buscar algo a mais, não desistam dessa busca, há uma comissão técnica que também acredita nisso e está disposta a seguir nessa caminhada com vocês.

Me recuso a dizer adeus, prefiro dizer até breve.

Do fundo do coração, meu muito obrigado a todos que me proporcionaram anos incríveis enquanto atleta e treinador do Minas Tênis Clube.

Espero que, em um futuro próximo, possamos retomar nossa história.

Com carinho, Luciano Corrêa





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