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30/10/13 15:44

Observação dos padrões de lateralidade de Judocas como elementos do Estrategismo Esportivo

Cada vez mais a lateralidade tem sido um elemento importante para a observação de adversários em lutas de Judô. Há uma preocupação comum de que o atleta que utiliza o video-scouting (análise da luta) faça uma análise crítica do seu adversário. O olhar e a percepção de luta do atleta em relação ao seu oponente não pode se fixar somente em elementos do senso comum de não especialistas do esporte, como torcedores e fãs da modalidade. Alguns detalhes sãoimportantes para que se tenha uma leitura crítica do outro e do próprio atleta.

 

Exemplo disso é a lateralidade, um elemento coordenativo do ponto de vista das capacidades físicas, sobre o qual ainda há uma indefinição clara do potencial de combinação genética para esta definição motora.  Por parte dos geneticistas há discussões sobre poder existir uma maior tendência de pais canhotos terem filhos canhotos, mas ainda é uma questão em estudo. A lateralidade é dominada pelo cérebro. Os movimentos da parte direta do corpo são estimulados pelo hemisfério cerebral esquerdo e vice-versa. Muita gente acredita que a definição da lateralidade está indicada pelo lado que o sujeito desenvolve a grafia. A escrita é uma ação que trabalha a motricidade fina dos membros superiores e pode ser treinada para o lado não dominante. Porém a lateralidade é definida não somente pela questão da opção de mão para escrita, mas pelo conjunto do lado em que o sujeito tem suas preferências motoras. O primeiro sinal indicativo da formação da lateralidade surge por volta dos três anos de idade, podendo variar de acordo com a estimulação a que a criança é submetida – fatores ambientais, e também pelo componente genético.

 

A primeira manifestação da lateralidade é a preferência de apreensão manual. Contudo, o lado que apresenta o início da marcha (caminhada ou engatinhada), o lado que a criança escolhe para executar o movimento natural de trepar (escalar) móveis ou  brinquedos em parques, e o lado que busca, por exemplo, para chutar uma bola são indicadores que facilitam a sinalização nas primeiras etapas de desenvolvimento motor. De fato a dominância lateral se desenvolverá somente a partir do momento em que ocorre uma combinação de movimentos e estes, assim, adotam um padrão de organização motora por intencionalidade. Pode-se dizer que o processo de definição da lateralidade ocorre por intermédio de experimentações dos movimentos simples e complexos vivenciados na infância e que ao longo do crescimento e desenvolvimento se aprimoram. Contudo, percebe-se que deve ocorrer uma aprendizagem bilateral de movimentos, ou seja, para os dois lados deve se testar tudo o que é ensinado(para o lado predominante e também para o não-dominante),  mas há uma tendência lógica de que o lado de preferência seja o que apresente uma melhor performance motora de movimentos complexos. Entendemos como elementos simples e naturais o ato de engatinhar, andar, nadar, saltar, etc; e movimentos complexos, por exemplo, a realização de um o-soto-gari, tai-otoshi, yoko-gake, entre outras técnicas específicas do esporte.

 

Do ponto de vista da lateralidade temos os padrões esquerdo (canhoto), direito (destro), esquerdo e direito (ambidestro), e cruzado (perna esquerda com mão direita ou mão esquerda com perna direita). No Judô, do ponto de vista do Estrategismo, é fundamental essa identificação para repassar ao técnico que dialogará com o atleta na observação dos vídeos. A realização deste diagnóstico motor é desenvolvido a partir da base, do descolamento e do kumi-kata (pegada) para se perceber também para que lado o adversário realiza uma técnica de ataque, defesa ou contragolpe. Esta análise deve ser realizada tanto na luta em pé quanto na luta de solo para se ter um perfil do atleta observado.

 

Saber identificar qual é o padrão de lateralidade facilita a leitura da luta e o diálogo com o técnico também por parte do atleta. Muitas vezes, o adversário tem uma base (membros inferiores) de direita, uma pegada (kumi-kata) de destro, caminha com mais frequência para a direita e entra golpes para a esquerda. Fragmentar a lateralidade é importante no primeiro momento de leitura da luta, mas entender como estas partes se conectam é fundamental para se construir uma tática e/ou estratégia a respeito de um todo. Reconhecer os dados dos adversários é algo muito importante, mas o atleta brasileiro precisa também se conhecer para saber: qual é o seu lado de predominância; para que lado entra suas técnicas mais fortes; para que lado se torna mais vulnerável; entre outros indicadores que podem ser observados a partir da lateralidade. Na hora de realizar o video-scouting, o atleta deve preconizar assistir a  vídeos de seus adversários lutando com pessoas que possuem um padrão de lateralidade similar ao seu para que, justamente, possa se transferir da condição de mero observador para a posição de competidor e assim iniciar a criação do seu mapa tático de possibilidades de ataque rumo à vitória.

 

 

Para citar parte deste artigo ou na íntegra, utilize a seguinte referência respeitando o direito autoral:

MATARUNA, Leonardo. Observação dos padrões de lateralidade de Judocas como elementos do Estrategismo Esportivo. Blog do Estrategismo. Publicado em 29 de Outubro de 2013. Rio de Janeiro: CBJ, 2013.  







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