Torcida faz bonita festa mas Brasil não resiste aos estrangeiros no Desafio Internacional
Mulheres perderam para a Alemanha por 4 a 1 e homens para a França por 3 a 2
Sem nenhuma dúvida, a torcida foi o ponto alto do Desafio Internacional que aconteceu no ginásio Aécio de Borba, em Fortaleza, na noite desta segunda-feira, dia 27/5. A arena teve lotação máxima e os espectadores torceram muito e vibraram com grandes combates. O Desafio Internacional, evento teste para o Mundial do Rio de Janeiro no final de agosto, viu uma torcida animada e participava. Um verdadeiro show nas arquibancadas. Dentro do tatame, as brasileiras acabaram sendo derrotadas pelas alemãs por 4 a 1 e os homens pela França por 3 a 2.
“Fiquei bem animada em ver o ginásio lotado, com tanta gente torcendo e apoiando a equipe brasileira. Desse jeito, a vontade de ganhar é bem maior”, disse Érika Ferreira, a única atleta do Ceará entre os convocados para a competição. “Esse evento foi um grande aprendizado para todos”, completou.
Antes do início dos combates, a animação tomou conta das arquibancadas. Foram sorteados quimonos, houve uma apresentação de dança de um grupo regional e todas as equipes foram ao tatame dar seu grito de guerra. O presidente Paulo Wanderley Teixeira fez uma homenagem aos medalhistas olímpicos presentes: os brasileiros Henrique Guimarães e Douglas Vieira, o alemão Richard Trautmann e o francês Christophe Gagliano.
“A presença desse número de pessoas para assistir a um evento de judô mostra a força do esporte aqui no Ceará e no Brasil. Estamos muito satisfeitos com a escolha de Fortaleza para receber o Desafio e esperamos que a organização desse campeonato deixe um legado para a Federação Cearense e para a cidade”, disse o presidente da CBJ Paulo Wanderley Teixeira.
Com o começo das competições, a euforia deu lugar ao olhar atento. Primeiro, as cerca de duas mil pessoas presentes ao evento viram França contra Alemanha no masculino. Com a vitória de Machtrou Nabil sobre Leon Struber com um estrangulamento, os franceses fizeram três a dois e se classificaram para enfrentar o Brasil pelo título do Desafio.
“Acho que a organização do Desafio Internacional foi muito boa. O Brasil é um lugar lindo! Estou adorando aqui e já esperava que a organização corresse nesse nível. Eu gosto do país, do judô do Brasil e foi ótimo poder fazer parte da competição\", disse o francês Nabil Machtrou.
As lutas entre brasileiros e franceses foram muito equilibradas. Primeiro, Ricardo Júnior venceu François Persehais. Depois Caio Brígida foi jogado por wazari por Tristan Avaliani. No terceiro embate, Gustavo Assis chegou a estar vencendo Ibrahima Keita por wazari mas faltando pouco mais de um minuto para o fim da luta foi jogado por ippon e a França fez três a dois. Henrique Silva não deu chances a Thomas Cherchour e deixou tudo igual. Na última luta, Ruan Silva foi imobilizado por Sanal Emre. Comemoração francesa ao som do hit Gangnam Style.
\"É sempre muito difícil você ver seus amigos dependendo de você pois eles já fizeram o deles, e na sua hora você fica nervoso e perde. Numa luta dessas, qualquer detalhe pesa. Ele (Sanal Emre) percebeu que eu estava um pouco cansado, se aproveitou disso e ganhou a luta. Para o Mundial, foi um teste do maior nível possível porque aqui no país nunca tinha tido um Desafio Internacional para as categorias de base. Ou seja, a CBJ investiu na gente trazendo gente de alto nível. E a torcida foi ótima. Deu para perceber que quando mais precisar, eles estarão lá, nos apoiando. Esse apoio é bastante importante, pois nos ajuda a ser respeitados aqui na nossa casa\", avaliou Ruan Silva.
Mas antes da decisão masculina, as meninas do Brasil enfrentaram as fortes alemãs. Jéssica Pereira, Flávia Gomes, Jéssica Santos e Beatriz Oliveira foram derrotadas por Katja Stiebeling, Jennifer Schwille, Vivien Herrmann e Szaundra Diedrich, respectivamente. A única vitória brasileira veio com a pesada Sibilla Faccholli, que imobilizou Michelle Goschin.
“Não podia me deixar abalar pelas derrotas das minhas amigas. Eu tinha que mostrar que o país tem tradição, que também somos uma potência. Alemanha e Brasil são países fortes no esporte e os confrontos sempre são equilibrados. Hoje, infelizmente, não foi nosso dia”, disse Sibilla.
Agora, todos os atletas que participaram do Desafio Internacional e do Campeonato Brasileiro Sub 21 estão convidados para o treinamento de campo no próprio Aécio de Borba até a próxima sexta-feira. Entre eles, alguns dos representantes desses países no Mundial Sub 21 que acontece em Ljubljana, de 24 a 27 de outubro.
“É uma incrível oportunidade estar aqui, especialmente porque foi tudo muito bem feito. Vejo como essencial poder fazer a promoção do judô em outros países. Falando tecnicamente, Alemanha, França e Brasil são três das seleções mais fortes do planeta, então, é uma boa preparação para o Mundial. Porém, o Campeonato Mundial é um torneio diferente, é especial. Tem tantos países envolvidos que o torna imprevisível. Portanto, vejo não como um teste, mas como uma boa chance de ver os adversários fortes que nós enfrentaremos. Esses três times são muito semelhantes, o judô brasileiro vai permanecer muito tempo em um bom nível. Os brasileiros têm um estilo clássico de lutar, o que, as vezes, pode ser complicado quando jovem mas que trará benefícios quando eles forem mais velhos\", analisou o técnico da equipe alemã, o medalhista de bronze nos Jogos de Barcelona 92 e Atlanta 96, Richard Trautmann.