Técnicos são atração à parte no Grand Prix Interclubes feminino
Presentes ao sorteio nesta sexta-feira, treinadores de renome comentaram sobre o que esperam do GP
A técnica japonesa Yuko Fujii, contratada pela CBJ em parceria com o COB, veio para o Brasil com alguns objetivos em relação ao judô nacional. Entre as missões dela está a capacitação de treinadores brasileiros para atuarem com mulheres. Porém, nos grandes clubes que disputarão o Grand Prix Nacional Interclubes feminino nos próximos sábado e domingo – 23 e 24 de novembro -, esse não é um problema. Entre os nomes que comandarão as sete equipes do certame estão o medalhista olímpico Henrique Guimarães (Palmeiras/Mogi); o descobridor da campeã mundial Rafaela Silva Geraldo Bernardes (Instituto Reação); a técnica da equipe feminina brasileira sub 21 Andrea Berti (Pinheiros); o treinador da medalhista olímpica Mayra Aguiar Antônio Pereira “Kiko” (SOGIPA); e o ex-técnico da seleção brasileira Floriano Almeida. E a experiência desses “comandantes” pode ser um fator determinante na vitória ou derrota de sua equipe.
“O Grand Prix tem uma característica particular que é a punição aos atletas que não estiverem no tatame e membros da comissão técnica que excederem nas reclamações ou provocações aos adversários. O árbitro tem autonomia para dar um cartão amarelo para eles e isso conta como uma punição (shidô) para o atleta que estiver lutando. Então, o controle emocional dos treinadores é decisivo. Fora que as reações deles, mesmo contidas, são uma atração a parte do GP”, disse Robnelson Ferreira, gestor técnico nacional e de eventos da CBJ.
Acostumada a trabalhar com as mulheres no clube e também na seleção, a técnica Andrea Berti ressalta a importância de lidar bem com as emoções provocadas pelo Grand Prix. As atletas do Pinheiros comandaram a torcida durante o Grand Prix masculino que culminou com a Vitório do clube. Uma das canções chamava a atenção para o desempenho delas no sul, mais precisamente no ginásio da SOGIPA.
“Conforme o Grand Prix vai se aproximando, as atletas vão pegando fogo, o clima é diferente e todas tem de estar bem atentas. O nível da competição é muito elevado, com muitas equipes com chances de vitória. Assim, o dia conta muito e o controle emocional é de extrema importância”, disse Andrea Berti, que comandou a equipe do Brasil que faturou duas medalhas de prata e uma de bronze no Mundial Sub 21 da Eslovênia.
Henrique Guimarães vive uma experiência diferente. Depois de uma carreira vitoriosa como atleta, o medalhista de bronze em Atlanta 96 assumiu o comando da equipe do Palmeiras/Mogi, onde viveu seus grandes anos como competidor sendo, até hoje, o dono da única medalha olímpica do clube em esportes individuais. Agora, tem a responsabilidade de levar a equipe estreante a um lugar no pódio. Para isso, conta com nomes de seleção como Mariana Barros e Milena Mendes.
“Estamos bastante motivados por termos nos qualificado pela primeira vez e, assim, nos juntarmos ao hall dos grandes clubes. Nossa expectativa é fazer com que as atletas consigam dar seu máximo, pois, dessa forma, o resultado naturalmente vem. As atletas estão bem motivadas e sabemos que uma competição por equipes é diferente. Esperamos fazer uma boa competição. Minha visão de ex-atleta me permite ajudar de uma maneira diferente, pois já conheço o sentimento de se aproximar de uma competição importante. É uma honra estar participando de uma competição tão forte, prova de como a CBJ, administrativamente também, está num nível de muito profissionalismo”, disse o medalhista olímpico e atual treinador.
Por outro lado, do alto da experiência de mais de 50 anos como treinador, participando inclusive de quatro Jogos Olímpicos (Seul 88, Barcelona 92, Atlanta 96 e Sidney 00), Geraldo Bernardes também comanda uma equipe estreante, o Instituto Reação. Porém, as atletas não são inexperientes em disputas de Grand Prix. O principal desafio do técnico e escalar as cinco titulares em um grupo que conta, por exemplo, com Raquel Silva, reserva de Érika Miranda na seleção brasileira, e Jéssica Pereira, medalhista de prata no último mundial Junior, no mesmo peso.
“Eu, particularmente, uso a estratégia de conversar com os atletas, perguntar se ele se sente bem enfrentando aquele determinado adversário, se vai garantir o ponto pra gente. E, de acordo com o posicionamento dele, decido quem vai ser escalado. No âmbito geral, também é importante você fazer a leitura do grupo porque, as vezes, cedendo um ponto, você garante uma posição melhor na chave. É uma lição do judô: ceder para vencer”, disse Geraldo Bernardes que viu, in loco, dos dois primeiros ouros olímpicos brasileiros com Aurélio Miguel e Rogério Sampaio.
Todos os treinadores estiveram reunidos no Congresso que determinou as chaves do torneio. No Grupo A, ficaram SOGIPA, OAS Inhumas, Instituto Reação e Tênis Clube São José. No grupo B, ficaram Minas, Pinheiros e Palmeiras/Mogi. Eles se enfrentam no sistema de todos contra todos. Os dois melhores avançam para as semifinais e os últimos colocados disputam uma pule de três no qual o último colocado terá que disputar o qualifying no ano que vem. Os cabeças de chave foram Pinheiros, Minas, SOGIPA e OAS Inhumas, os melhores colocados no último campeonato e que permaneceram na disputa em 2013. A etapa de grupos e as semifinais serão disputadas no sábado às 9hs e às 16hs respectivamente. As disputas de medalha terão transmissão, ao vivo, do SPORTV no domingo a partir das 14:30. Ainda nesta sexta aconteceram o Credenciamento, a Pesagem Oficial e o Congresso de Arbitragem.
Grand Prix Nacional – Feminino
Local: Ginásio da Sogipa – Porto Alegre/RS
23/11
9hs: Primeira fase
16hs: Semifinais
24/11
14h30: Disputa de medalhas (com transmissão ao vivo do SporTV)
CAMPEÕES
Feminino
2005: EC Pinheiros/SP
2006: AD São Caetano/SP
2008: AD São Caetano/SP
2009: Sogipa/RS
2010: Sogipa/RS
2011: Minas TC/MG
2012: CR Flamengo/RJ