Técnica da seleção brasileira de judô, japonesa Yuko Fujii comemora primeira medalha em casa
Comandante da equipe masculina se emocionou com bronze de Daniel Cargnin e projetou mais resultados para o Brasil nos Jogos Olímpicos
No segundo dia de disputas do Judô nos Jogos Olímpicos de Tóquio, três japoneses conquistaram as tão sonhadas medalhas olímpicas. Sim, três. Os irmãos Abe foram imbatíveis e levaram os ouros das duas categorias em disputa no dia. A terceira veio com a técnica Yuko Fujii, japonesa treinadora da seleção masculina do Brasil que esteve ao lado do brasileiro Daniel Cargnin, bronze no meio-leve masculino.
"Desde 10 anos, eu sempre lutei aqui. Tenho muitas lembranças. Ver o nosso atleta fazer o excelente campeonato que fez aqui é muito emocionante", disse referindo-se à histórica arena Nippon Budokan, construída em 1964 para a primeira aparição do judô no programa olímpico.
Yuko é de Nagoya e veio de mala e cuia para o Brasil em 2012 com o objetivo de trabalhar os fundamentos básicos do judô com os atletas brasileiros. Em 2018, depois de participar dos Jogos do Rio como técnica assistente, ela assumiu o comando técnico da seleção masculina ao lado do coordenador Luiz Shinohara. O desafio era conduzir a renovação da equipe olímpica para os Jogos de Tóquio. O primeiro objetivo de classificar atletas em todas as sete categorias de peso foi alcançado ao final do ranqueamento olímpico. O próximo passo, então, era concretizar os potencias medalhistas em reais medalhistas.
"Inicialmente, nosso trabalho era fortalecer os fundamentos e potencializar o jogo brasileiro. Mas só com isso não conseguíamos medalhar nas competições internacionais. Discutimos e conversamos bastante para conscientizar os atletas, e sempre buscamos estimular treino e trabalho muito competitivos. Sempre que saíamos do Brasil nesse momento difícil da pandemia, mesmo com toda dificuldade, nossa equipe conseguia ganhar mais experiência, e nossos atletas sempre traziam coisas boas, mantendo o nível de treinos no Brasil aumentando a competitividade. Deu certo, e é agora que tenho certeza disso”, afirmou após se emocionar com a conquista do bronze de Daniel Cargnin (66kg).
Se durante o ciclo, os resultados custaram a sair, em Tóquio eles vieram no momento certo. Logo no segundo dia de competição, com um atleta recém-saído das categorias de base que representa o sucesso da renovação do judô brasileiro.
“Nos momentos difíceis e nos momentos bons eu sempre acreditei nos nossos atletas. Não só eu. Toda a a comissão. O Daniel lutou muito hoje. A minha mensagem era que ele lutasse por ele mesmo e ele fez isso. Fiquei muito feliz”, celebrou sem esconder a emoção. “Aqui, eu não falei nada para ele. Ele já sabia o que tinha que fazer. Isso me deixou muito feliz, porque meu objetivo era fazer o atleta independente. Vejo que nosso trabalho foi certo e vai sair mais coisa boa”, projetou.
O Brasil ainda tem outras quatro chances de medalhas nas chaves masculinas. Nesta terça, Eduardo Katsuhiro caiu na primeira rodada para Guillaume Chaine, da França, e não avançou na chave. Nos próximos dias, lutarão Eduardo Yudy Santos (81kg), Rafael Macedo (90kg), Rafael Buzacarini (100kg) e Rafael Silva (+100kg).