Rio Grande do Sul e São Paulo são campeões do Brasileiro sub 13
Enquanto a seleção brasileira está na Rússia para o Campeonato Mundial, as sementes do judô brasileiro entraram nos tatames de João Pessoa para a disputa do Campeonato Brasileiro Sub 13. Foram dois dias de competição: no sábado lutaram as categorias super ligeiro, ligeiro, meio leve, leve, meio médio e médio, enquanto o meio pesado e o pesado fecharam o torneio na manhã deste domingo. No resultado geral: Rio Grande do Sul sagrou-se campeão geral no feminino e São Paulo no masculino.
Nem faixa preta nem muitos músculos, o Ginásio de Esporte da Uninpê estava tomado por crianças, em sua maioria na primeira competição de âmbito nacional da vida, experimentando as sensações que um evento de alto nível pode provocar. Nas arquibancadas lotadas por pais, familiares e amigos – uma marca dos torneios que envolvem atletas muito novos – era possível ouvir e perceber, sem muito esforço, a torcida que gritando ou tentando instruir buscava dar mais força a quem caminhava em busca do título.
Apesar de novos, os pequenos judocas do Brasil lutaram como gente grande e deram um show na capital paraibana. Sandro Nery, técnico da equipe gaúcha, campeã no feminino e vice-campeã no masculino falou sobre o desempenho dos atletas. “Estou muito satisfeito com o resultado, que é fruto do trabalho que a Federação Gaúcha tem feito, e da união de todos os técnicos, que trabalham em conjunto. Essa garotada está indo muito bem e ficou feliz de ver o desempenho de cada um deles”, disse Nery.
E parece que não são apenas os atletas adultos que ganham cuidado especial. Assim como a CBJ tem uma equipe multidisciplinar para dar assistência aos atletas das seleções adulta e de base, segundo Nery muitos clubes têm psicólogos que ajudam as crianças ainda iniciantes, a encarem bem o mundo novo de torneios. “Eles precisam vir porque eles gostam de fazer judô, isso aqui precisa ser leve para eles”, disse e completou. “Muitos clubes, inclusive, já trabalham com um psicólogo para que eles aprendam a lidar não só com a vitória, mas também com uma derrota”.
Rio de Janeiro em segundo, Paraná em terceiro, São Paulo em quarto e Bahia em quinto completam o topo do quatro de medalhas no feminino. Já no masculino, São Paulo foi o grande campeão, seguido do Rio Grande do Sul em segundo, Espírito Santo em terceiro, Paraná em quarto e Mato Grosso do Sul em quinto.
Paulo Ferraz Alvim, técnico da equipe paulista destacou o desenvolvimento do judô nacional e o planejamento em outras regiões do Brasil. “As categorias estão muito bem disputadas. O judô nacional teve um crescimento muito grande. São Paulo, por exemplo, tinha uma hegemonia e atualmente não vem alcançando o campeonato em todas as competições. A gente pode ver muita divisão de medalhas, consequência dos trabalhos desenvolvidos nos outros estados”, disse Alvim.
A descentralização, um dos objetivos da CBJ com a ajuda que oferece às Federações, através do PAF (Programa de Apoio às Federações), têm sido notada e aprovada por todos. “É necessário para o desenvolvimento do judô nacional. Hoje você vê Pernambuco forte, o Piauí de Sarah Menezes (campeã olímpica), entre tantos outros estados que também tem se destacado. Temos que pensar sempre o judô como Brasil. Tem que descentralizar e centralizar como judô nacional. Competição é só um momento, o judô é eterno”, finalizou Paulo Ferraz Alvim.
Os donos da casa conquistaram duas medalhas: uma prata e um bronze. Arthur Raul, técnico da equipe da Paraíba, enfatizou a importância de João Pessoa receber um campeonato nacional. “É muito importante receber um torneio dessa dimensão no nosso Estado, os atletas ficam mais motivados e o judô ainda mais em evidência”, disse. “A modalidade no Brasil está crescendo em nível que você consegue encontrar medalhistas de vários estados diferentes. Tivemos uma atleta na final e outros quatro disputaram o bronze, se fosse há alguns anos, talvez isso não fosse possível”, completou.
Ainda deu tempo do Campeonato Brasileiro sub 15, que foi realizado há duas semanas no Amapá, ser elogiado. “Só da CBJ estar realizando eventos em outras regiões, estar levando as competições para mais perto dos atletas, como foi o caso do Brasileiro sub 15, permite que os atletas fiquem mais motivados, acreditem que é de destacar dentro do esporte e estar mais próximo de seus ídolos”, finalizou Arthur Raul.
Confira em anexo as súmulas dos dois dias e o quadro de medalhas. Em breve montaremos a galeria de fotos.