Para brilhar em Londres, Brasil tem atenção total ao Japão
Judô e Japão são indissociáveis. É impossível pensar no primeiro sem associá-lo ao segundo. Não só por os japoneses serem os criadores deste esporte, mas também por terem sido os responsáveis por disseminá-la no mundo. Hoje, muito da grandiosidade do judô se deve ao fato de, desde os Jogos de Tóquio, em 1964, este ser um esporte olímpico.
Dentro de alguns dias, em Londres, a Seleção Brasileira de Judô começará a busca por materializar o sonho de alcançar seu melhor resultado olímpico. E como não poderia deixar de ser, o Japão se colocará como uma gigantesca pedra no caminho verde e amarelo. Principalmente no caminho das judocas.
"Não tenho nenhuma dúvida de que as japonesas são uma ameaça maior do que os japoneses. O ranking olímpico masculino tem sete líderes de países diferentes, o que mostra um equilíbrio muito grande. Já no feminino, em cinco das sete categorias a primeira colocada é japonesa", afirmou o coordenador técnico internacional da Seleção, Ney Wilson Silva.
A técnica da Seleção feminina, Rosicléia Campos, não só concordou com as dificuldades de subir no tatame para enfrentar as japonesas como as deu o título de maiores adversárias do Brasil.
"Principalmente nas categorias mais baixas, as japonesas são muito fortes, competitivas e frias, o que faz com que tenham resultados bons em Olimpíadas. Elas não se deixam envolver pela atmosfera, não se preocupam com o glamour da competição, e isto faz diferença", disse Rosicléia.
Por toda a força atual e histórica do judô japonês, seria compreensível que os brasileiros se sentissem intimidados diante de um duelo em Londres. Porém, relevantes resultados obtidos recentemente e a marca de ter, assim como o próprio Japão e a França, atletas em todas as categorias olímpicas, minimizam as influências de estar diante de um judoca japonês.
"Existe uma certa diferença psicológica em enfrentar o Japão, mas temos trabalhado muito e conseguido quebrar isto, como comprovam algumas conquistas dos nossos atletas", disse Ney Wilson, para completar com exemplos: "O João Derly, quando foi Campeão do Mundo em 2005, venceu o Bicampeão Olímpico Masato Uchishiba. Na Copa do Mundo de Roma, em 2010, o Felipe Kitadai ganhou do Tricampeão Olímpico Tadahiro Nomura. Estas vitórias geram uma melhora na autoestima, na autoconfiança".
Dono de três medalhas pan-americanas, duas participações em Olimpíadas e atual técnico da seleção masculina, Luiz Shinohara destaca a importância do trabalho de intercâmbio organizado pela comissão técnica atual.
"No passado, quando nossos atletas não saíam do país para competir e treinar, existia uma preocupação ao lutar contra japoneses. Atualmente, vamos todos os anos para o Japão realizar treinos, e, assim, a preocupação diminuiu muito. Hoje, em muitas categorias, são os japoneses que se preocupam com os brasileiros", afirma Luiz Shinohara.