Maria Portela e Rafael Macedo estreiam com vitórias, mas param na segunda rodada do Mundial de Tóquio
Francesa e britânico impediram que brasileiros avançassem nas chaves do peso Médio nesta quinta-feira
O judô brasileiro começou bem o quinto dia de Campeonato Mundial, em Tóquio. Estreando na Nippon Budokan, os médios Maria Portela e Rafael Macedo derrotaram seus primeiros adversários e avançaram para a segunda fase de suas chaves. Na segunda rodada, no entanto, não conseguiram repetir o desempenho e despediram-se precocemente do Mundial.
Portela, que é a atual número 6 do mundo, chegou ao Mundial como cabeça de chave e derrotou com autoridade a croata Barbara Matic. Projetou para pontuar um waza-ari e, na transição ao solo, imobilizou a adversária por mais 10 segundos para assesgurar uma vaga nas oitavas.
Na luta seguinte, a brasileira encarou a francesa Margaux Pinot, campeã europeia, buscou ataques, mas ficou pressionada por duas punições sofridas no tempo regulamentar.
Portela ainda conseguiu fazer Pinot sofrer uma punição, mas a francesa derrubou a brasileira, marcando o waza-ari vencendor na "morte súbita".
"Eu conheço muito bem essa francesa e acho que busquei muito mais a luta do que ela. Mas, é do esporte. Tem dias que as coisas não dão certo. Eu fiz o que poderia ter feito, mas não consegui andar na competição", avaliou Portela ao sair do tatami.
Macedo enfrentou um chinês na primeira rodada e por muito pouco não liquidou o combate com um ippon. O golpe entrou potente, mas Hebilige Bu conseguiu girar o corpo o suficiente para pontuar um waza-ari para o brasileiro. Macedo manteve a postura e segurou a vantagem para avançar na chave.
Em seu segundo combate, o brasileiro mediu forças com o britânico Max Stewart e foi surpreendido por um waza-ari a menos de 30 segundos do fim da luta. Ele ainda tentou uma reversão do golpe, mas a arbitragem de vídeo validou o ponto para o britânico.
"A competição está em altíssimo nível, não tem luta fácil e está todo mundo muito bem preparado. Acredito que essa luta com o britânico estava muito travada, dfícil acertar o jogo. Na hora que ele entrou eu fiz um movimento para tentar um contra golpe, mas a arbitragem interpretou que foi iniciativa dele", explicou Macedo. "Agora é seguir em frente para tentar voltar aqui ano que vem e buscar uma medalha."
Popole Misenga defende o Time de Refugiados no Mundial
Outro "representante" do judô brasileiro também foi ao tatami da Nippon Budokan na madrugada desta quinta-feira. O congolês Popole Misenga, que desde 2013 vive como refugiado no Brasil, foi convidado pela Federação Internacional de Judô para lutar o Mundial sob a bandeira do Time de Refugiados Olímpicos, assim como nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
Popole treina no Instituto Reação, clube da campeã olímpica Rafaela Silva, com o técnico Geraldo Bernardes, mentor da Rafa e do Flavio Canto, fundador do Reação.
Em sua primeira luta no Mundial, Popole encarou o italiano Matteo Marconcini e desistiu do combate após a chave de braço aplicada pelo adversário.
Com apoio financeiro da FIJ por meio do programa Solidariedade Olímpica, Popole Misenga tem mantido os treinamentos e tem ainda suporte para viagens.
Foto: Roberto Castro / Rede do Esporte