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22/07/2026 08:45:00
Seleção Brasileira - Principal

Ketleyn Quadros anuncia despedida das competições após carreira histórica no judô brasileiro

Pioneira do esporte nacional, medalhista olímpica e inspiração para gerações, judoca encerra um ciclo de mais de vinte anos na Seleção Brasileira

Ketleyn Quadros anuncia despedida das competições após carreira histórica no judô brasileiro
Em Pequim 2008, Ketleyn Quadros conquistou a primeira medalha olímpica do judô feminino brasileiro. Foto: Paul Gilham/Getty Images

Há conquistas que ultrapassam as linhas do tatame e marcam gerações. Em 11 de agosto de 2008, a jovem Ketleyn Quadros entrava para a história do esporte brasileiro ao se tornar a primeira mulher do país a conquistar uma medalha olímpica em uma modalidade individual. O bronze nos Jogos de Pequim fez milhares de meninas acreditarem que seus sonhos eram possíveis e, hoje, 18 anos depois, a judoca se despede oficialmente das competições com um legado que abriu caminhos para gerações e fez do seu nome um símbolo de inspiração para o judô brasileiro.


"A Ketleyn escreveu um dos capítulos mais importantes da história do judô brasileiro. Sua conquista olímpica foi um marco para o esporte e um símbolo de inspiração para milhares de meninas que passaram a acreditar que também poderiam chegar ao mais alto nível. Mas seu legado vai muito além das medalhas: está na dedicação, na perseverança, no exemplo e na forma como sempre representou nosso esporte com excelência. Seu legado permanecerá vivo e continuará inspirando atletas por muitos anos”, afirmou Paulo Wanderley Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Judô.


Natural de Ceilândia, no Distrito Federal, Ketleyn começou seu caminho no esporte dividindo a atenção entre a natação e o judô. Aos 12 anos, escolheu exclusivamente o tatame e, pouco tempo depois, passou a competir nas categorias de base da Seleção Brasileira. Em 2006, foi sétimo lugar no Campeonato Mundial Júnior e ainda conquistou o ouro no Torneio Kiyoshi Kobayashi, em Coimbra (POR), a primeira de inúmeras medalhas com a equipe principal.


"Quando comecei no judô, eu não imaginava até onde aquele sonho poderia me levar. O que começou como uma oportunidade de praticar esporte se transformou em uma jornada que mudou a minha vida. O judô me ensinou disciplina, respeito, coragem, resiliência e a acreditar que, mesmo quando o caminho parece impossível, vale a pena a gente continuar. Tive o privilégio de representar o Brasil nos maiores palcos do mundo, vivi momentos que jamais vou esquecer, me reinventei inúmeras vezes e cresci dentro e fora do tatame”, disse Ketleyn.




Ketleyn Quadros começou a treinar judô no Sesc Ceilândia, no Distrito Federal.

Foto: Arquivo Pessoal

Em vinte anos defendendo a Seleção, a brasiliense somou mais de 400 lutas e participações nos principais eventos do calendário internacional. Nos Jogos Olímpicos Pequim 2008, veio a tão sonhada primeira medalha olímpica do judô feminino brasileiro. Naquele dia, Ketleyn venceu quatro das cinco lutas que disputou na categoria até 57kg, incluindo a espanhola Isabel Fernandez e a japonesa Aiko Sato, atuais medalhistas mundiais de prata e bronze, respectivamente.


A segunda participação olímpica viria 13 anos mais tarde, em Tóquio 2020, já em novo peso, o até 63kg. Ficou em sétimo lugar e, três anos depois, conseguiu a classificação para sua terceira Olimpíada. Em Paris 2024, fez novamente o que sabe fazer melhor: história. Integrou o time que conquistou a inédita medalha de bronze por equipes mistas e tornou-se a atleta brasileira com o maior intervalo de tempo entre a primeira e a segunda medalha olímpica — 16 anos.


“Com o passar dos anos, eu percebi que o maior significado daquela conquista de 2008 não estava apenas na medalha em si, e sim nas portas que ela ajudou a abrir. Se hoje mais meninas acreditam que podem chegar lá, se mais mulheres ocupam espaços que antes pareciam distantes, sinto que minha missão foi muito maior do que qualquer resultado", expôs.





A brasiliense conquistou bronzes em seu primeiro e último Jogos Olímpicos.

Foto: Arquivo Pessoal



A longevidade no tatame se converteu em uma coleção de resultados. Como principais, além dos dois bronzes olímpicos, estão três medalhas no Campeonato Mundial por Equipes (1 prata e 2 bronzes); seis em Campeonato Pan-Americano (1 prata e 5 bronzes); oito em Grand Slam (2 ouros, 3 pratas e 3 bronzes); 8 em Grand Prix (2 ouros, 3 pratas e 3 bronzes); cinco nas extintas etapas de Copa do Mundo (1 ouro, 3 pratas e 1 bronze); e um bronze nos Jogos Pan-Americanos Santiago 2023.


Fora do shiai-jo, ainda, sua trajetória ganhou um novo capítulo quando foi escolhida para ser porta-bandeira do Brasil nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Foi a primeira vez que uma mulher judoca carregou a bandeira brasileira. Antes, apenas Aurélio Miguel (Barcelona 1992) e Walter Carmona (Seul 1988) tiveram essa honra.


“Eu encerro esse ciclo com o coração em paz. Tenho profunda gratidão à minha família, aos meus treinadores, aos clubes que me acolheram, aos companheiros de equipe, aos profissionais que caminharam ao meu lado, aos torcedores e a todos que acreditaram em mim. Nada disso foi construído sozinha. Essa história pertence a muitas mãos, muitos corações e muitas pessoas que sonharam junto comigo”, agradeceu Ketleyn.





Em Tóquio 2020, Ketleyn foi porta-bandeira do Brasil ao lado de Bruninho, do volêi.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB



Além do Sesc Ceilândia (DF), sua primeira escola de judô, Ketleyn ainda passou pela Academia Espaço Marques (DF) e por outros dois clubes do judô brasileiro: o Minas Tênis Clube (MG), sua casa por 12 anos, e a Sogipa (RS), onde permaneceu até a aposentadoria.


Para a judoca, a despedida do alto rendimento não significa o fim. Ela, inclusive, concluiu recentemente o Curso Avançado de Gestão Esportiva (CAGE), do Comitê Olímpico do Brasil, e atua na Comissão de Atletas da entidade, garantindo que sua voz e experiência continuem ativas na comunidade olímpica.


“O judô se tornou parte de quem eu sou. Agora, levo tudo o que aprendi para os próximos capítulos da minha vida e sigo com a mesma paixão, os mesmos valores e a mesma vontade de contribuir para que o esporte continue transformando vidas, assim como transformou a minha”, concluiu.


A Confederação Brasileira de Judô agradece Ketleyn Quadros pelos anos de dedicação em prol do judô brasileiro. Sua história continuará inspirando atletas, treinadores e todos aqueles que acreditam no poder transformador do esporte. 

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