Judocas do Congo integrarão Time dos Refugiados nos Jogos do Rio 2016
COI confirmou a participação de Popole Misenga e Yolande Mabika nos Jogos Olímpicos
O Comitê Olímpico Internacional anunciou nesta sexta-feira, 03, os nomes dos atletas que farão parte do Time de Refugiados que competirão os Jogos Olímpicos do Rio 2016 sob a bandeira Olímpica. Entre os 10 escolhidos estão os judocas Popole Misenga e Yolande Mabika, nascidos na República Democrática do Congo e refugiados no Rio de Janeiro desde 2013.
"Esses refugiados não têm casa, não têm equipe, não têm bandeira, não têm hino nacional. Vamos oferecer a eles uma casa na Vila Olímpica junto com todos os atletas do mundo. O hino olímpico será tocado em sua homenagem e a bandeira olímpica irá conduzi-los ao Estádio Olímpico", disse o presidente do COI, Thomas Bach, ao anunciar os atletas em Lausanne, na Suíça.
Os dois são treinados pelo ex-técnico da seleção olímpica brasileira, Geraldo Bernardes, no Instituto Reação, ONG criada pelo medalhista olímpico do judô brasileiro, Flavio Canto. Lá, Popole e Yolande treinam ao lado dos judocas da seleção brasileira, Rafaela Silva e Victor Penalber, que representarão o Brasil nos Jogos do Rio.
"Espero que o treinamento que eles estão fazendo aqui (no Reação) sirva para que eles cheguem lá, lutem bem e dêem conta do recado", projeta Geraldo, que foi técnico do Brasil por 20 anos e esteve nos Jogos de Seul 88, Barcelona 92, Atlanta 96 e Sidney 2000.
"O judô me ajudou muito na minha vida. Me ajudou a ter o coração forte", disse Yolande, que compete na categoria meio-pesado (78kg), mesmo peso da campeã mundial Mayra Aguiar. Seu compatriota luta na categoria meio-médio (81kg).
Popole e Yolande chegaram ao Rio em 2013 para competir o Campeonato Mundial de Judô naquele ano. Foram abandonados pelos técnicos que os acompanhavam e chegaram a morar nas ruas do Rio até conseguirem asilo. Desde então, nunca mais voltaram ao Congo.