Judô brasileiro se despede de Chiaki Ishii, primeiro judoca medalhista olímpico e mundial do país
É com enorme pesar que a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) comunica o falecimento do sensei Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico e mundial do judô brasileiro. O pioneiro da longeva trajetória internacional do país na modalidade tinha 85 anos e nos deixou nesta sexta-feira, 16 de outubro.
Chiaki Ishii nasceu em Ashikaga, no Japão, e se naturalizou brasileiro em 1969. Mudou-se para o Brasil após perder a seletiva japonesa para os Jogos Olímpicos de 1964 e, antes de estabelecer raízes no país, viajou por diversos lugares da América do Sul. Trabalhou como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente (SP) antes de mostrar suas habilidades no judô.
Em 1971, tornou-se o primeiro medalhista mundial do judô brasileiro, com o bronze em Ludwigshafen. Um ano depois, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos Munique 1972. Além disso, tem quatro medalhas pan-americanas no currículo: dois ouros em 1970 (-93kg e aberto) outros dois em 1972 (-93kg e aberto).
“Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações. Sua contribuição jamais será esquecida. Que sua memória permaneça viva em nosso esporte e continue inspirando todos aqueles que vestem um judogi”, disse Paulo Wanderley, presidente da CBJ.
A vitoriosa e inspiradora história de Sensei Ishii no judô foi reconhecida com a graduação de Kodansha 9º Dan; a condecoração de Ordem ao Mérito da CBJ, a maior honraria do judô brasileiro; o convite de integrar o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), além de ter sido escolhido pela própria entidade para receber, em 2023, o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, oferecido aos atletas brasileiros que se destacaram e construíram um legado consistente e eterno.
Além de ser pioneiro no alto rendimento, seu trabalho em sua academia de judô na Lapa, em São Paulo, gerou medalhistas olímpicos como Walter Carmona e Rafael “Baby” Silva, além de diversos faixas-preta — incluindo as próprias filhas, Tânia e Vânia, atletas olímpicas.
Neste momento de dor, a CBJ expressa solidariedade à família, amigos, alunos e a toda comunidade do judô. Que o legado do sensei Ishii siga inspirando as futuras gerações.