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27/06/2015 17:59:41
Seleção Brasileira - Principal

Equipe que vai aos Jogos Pan-Americanos passa por simulado em Mangaratiba

Procedimentos da comissão técnica e programação dos atletas foi testada em competição amistosa no dojô montado no Hotel Porto Real.

Equipe que vai aos Jogos Pan-Americanos passa por simulado em Mangaratiba

Foi um grande teste. Além da estrutura montada em parceria com o COB que está sendo avaliada para os Jogos Olímpicos Rio 2016, os procedimentos da comissão técnica e a programação dos atletas nos dias de competição também passaram por uma observação durante a Concentração para os Jogos Pan-Americanos que está sendo realizada no Hotel Porto Real, em Mangaratiba, a cerca de 110km do Rio de Janeiro, neste sábado, 27 de junho. A estrutura foi a mais fidedigna possível. Houve placar exposto nas televisões ao lado das três áreas de combate, árbitros federados (Jeferson Vieira, Júlio Lapa e Gláucio Azevedo), técnicos orientando à beira dos tatames, lutas sendo gravadas para serem analisadas depois e até torcida organizada.

A simulação contou com três lutas no feminino e quatro no masculino para cada um dos 14 atletas convocados: Nathália Brigida (48kg), Érika Miranda (52kg), Rafaela Silva (57kg), Mariana Silva (63kg), Maria Portela (70kg), Mayra Aguiar (78kg), Maria Suelen Altheman (+78kg), Felipe Kitadai (60kg), Charles Chibana (66kg), Alex Pombo (73kg), Victor Penalber (81kg), Tiago Camilo (90kg), Luciano Correa (100kg) e David Moura (+100kg).

“Foi bom para os atletas que vão lutar em Toronto sentiram um pouco do peso de uma competição e se prepararem melhor para a competição. Mas foi muito importante também para os atletas de apoio. Muitos deles vão exercer essa função pela primeira vez em sua carreira e precisavam entender melhor o que os espera nos Jogos”, disse Ney Wilson.

A equipe de apoio que vai para os Jogos Pan-Americanos é composta por Gabriela Clemente (48kg), Raquel Silva (52kg), Flávia Cruz (57kg), Dione Barbosa (63kg), Karol Gimenes (70kg), Aine Schmidt (78kg), Ellen Furtado (+78kg), Vitor Hugo Delgado (60kg), Ricardo Santos Jr (66kg), Eduardo Katsuhiro (73kg), Eduardo Yuji Santos (81kg), Eduardo Faria (90kg), Horácio Antunes (100kg) e Matheus Rocha (+100kg).

Além dos atletas, as áreas funcionais também tiveram uma excelente oportunidade de testar seus procedimentos. Entre as que mais aproveitaram a simulação foram a nutrição, a preparação física e a psicologia. Para a nutricionista Roberta Lima, o importante foi poder verificar as quantidades adequadas de cada tipo de suplemento pensando no intervalo específico entre uma luta e outra, além do desafio de atender a todos os atletas em um único dia.

“Hoje tive que dar atenção aos 14 quando o normal é pra dois ou três atletas. O objetivo é testar os suplementos, quais ajudam na recuperação, na disposição e a diminuir a fadiga. Repetir o que deu certo e ajustar o que não funcionou tão bem”, disse Roberta. “Na competição, a gente faz uma combinação desses que já foram testados no treino. O que muda é a quantidade. Como os intervalos das lutas são pequenos, temos que adequar as quantidades, pensando na recuperação e em dar energia para o próximo combate”, concluiu.

Já a preparação física teve foco no aquecimento. Um componente extra de dificuldade foi que todos os atletas que vão disputar o Pan tiveram que se aquecer no mesmo horário.

“Cada atleta tem as suas especificidades na hora de aquecer. A não queríamos que eles alterassem essa rotina. Por isso, essa estratégia de ter uma equipe de apoio, com atletas que vão simular as dificuldades que eles terão com cada um dos adversários é algo muito positivo e foi testado hoje. Com isso, nossa maior preocupação passa a ser dar o estímulo certo, - força, velocidade, etc - na dosagem correta”, disse Josué.

Do ponto de vista da psicologia do esporte, é possível dizer que os atletas têm objetivos diferentes para o “shiai”. Mas a maioria com o direcionamento de se testar para a competição poliesportiva. Vale destacar que a preparação psicológica é um processo contínuo dentro da seleção brasileira como parte do treinamento global de cada um dos atletas.

“Como o nome define é uma simulação que tem como objetivo colocar o atleta no clima da competição para que o atleta tenha a vivência emocional e psicológica da competição, para que ele esteja familiarizado com as situações adversas e possa fazer até alguns ajustes pensando nos Jogos”, disse a psicóloga Luciana Castelo Branco.

Neste domingo, os atletas terão um dia livre para descansar. Muitos deles irão receber suas famílias dentro do hotel.

Base também entra no clima – Com duas competições importantes para disputar ainda no mês de julho – o Campeonato Pan-Americano Sub 18 e Sub21 e o Mundial Sub 18, a Gestão das Equipes de Base também optou por realizar uma simulação de combate neste sábado.

“É importante desenvolver essa competitividade nos atletas. Na parte da tarde, vamos fazer essa mesma simulação com o sênior, pegar atletas de nível olímpico e isso é muito importante pra gente. Temos feito isso nos últimos meses e vimos que isso dá resultado”, disse Marcelo Theotônio, gestor das equipes de base.  “Quando tem um peso de ter a comissão técnica observando, é uma pressão extra para os atletas. E assim vai ser por toda a carreira deles e, exatamente por isso, eles tem que aprender a lidar com isso da melhor forma. Acho que só temos benefícios”, completou.

A estrutura foi bem parecida com a da equipe principal mas os técnicos foram Érika Miranda e Rafaela Silva, um duelo a parte na competição. Mas houve comentários de que deveriam ter sido excluídas da competição por falarem durante o “hajime”, ou seja, fora da paralisação do combate, o que é proibido pelas regras da Federação Internacional de Judô. Mas a arbitragem ficou por conta de duas atletas, Dione Lima e Adriana Leite, que tiveram suas decisões bastante contestadas pelas “técnicas”.

“Acho que a árbitra atrapalhou muito minha equipe. Foi minha primeira vez como técnica e gostei muito, especialmente porque ganhei no final. Na comemoração tive que mandar um recadinho pra Erika porque ela tava achando que como ganhou uma luta a vitória já estava garantida. Consegui acordar minha equipe e comemorei muito no final”, disse Rafaela.

A equipe trajada com quimono azul, comandada pela campeã mundial de 2013, saiu vitoriosa pelo placar de quatro a três. Pela equipe de azul foram vencedores Vitor Torrente, Isabela Sanches, Lincoln Neves, Breno Alessi, João Gonçalves. Pelo lado branco, Nathália Mercadante, Michael Marcelino, Larissa Farias e Leonardo Gonçalves. Participaram ainda dos combates, Larissa Pimenta, Kainan Pires, Samara Contarini, David, Rita Reis, Jeferson Santos Junior., André Humberto e João Marcos Cesarino.

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