Clarisse Vallim conquista o ouro no Mundial de Judô Cadete pela segunda vez consecutiva
Carioca de 15 anos fez campanha perfeita neste sábado (22) e garantiu a segunda medalha do Brasil na competição
O judô brasileiro finalizou as disputas individuais do Campeonato Mundial Cadete com mais uma medalha. Neste sábado (22), em Guayaquil, no Equador, Clarisse Vallim repetiu o feito de 2025 e conquistou o ouro do até 70kg, tornando-se bicampeã da categoria em duas participações na competição. A carioca de 15 anos venceu quatro combates ao longo do dia, com destaque para a belga Valerie Tombou, adversária da final.
Confira como foi:
A trajetória até o segundo título mundial
Líder do ranking mundial da categoria, Clarisse chegou em Guayaquil depois de um ouro na Copa Europeia de Antalya e do título de campeã continental, além do também ouro nos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026.
Na capital equatoriana, ela estreou contra a estadunidense Chrystat Monthe Noussi, adversária que enfrentou e venceu na final do Campeonato Pan-Americano, marcando um ippon. Em seguida, nas quartas, passou pela francesa Norah Gosset mostrando sua força na luta de solo e conseguindo, além de um yuko, dois waza-aris por imobilização.
Classificada à semifinal, Clarisse teve pela frente a ucraniana Diana Samoiliuk e conseguiu uma vitória tranquila por ippon. Na final, cruzou com a belga Valerie Tombou, que chegou à decisão após passar por Maria Resende, a outra brasileira da categoria, e por atletas do México e Japão.
Clarisse e Tombou já haviam se enfrentado em outras duas oportunidades, com uma vitória para cada. No Mundial, a brasileira ficou à frente no confronto, apresentando um bom volume de entradas e fazendo a adversária ser punida três vezes por falta de combatividade.
“É uma sensação inexplicável e, para ser sincera, a ficha ainda não caiu. Mas estou muito feliz e muito grata pela medalha que trabalhei muito para conquistar. Minha preparação desse ano foi muito mais forte do que a do ano passado, porque todo mundo me conhecia, então óbvio que seria mais difícil. Busquei sempre ajustar meus pontos fortes e melhorar os fracos, e estava muito mais preparada que em 2025. E vou estar o triplo para o ano que vem”, disse Clarisse.
Em 2025, Clarisse fez sua estreia em Campeonatos Mundiais Cadete aos 14 anos. Na Bulgária, foi campeã pela primeira vez vencendo atletas mais velhas e melhores ranqueadas, incluindo a campeã da categoria naquela época.
Além das medalhas no Cadete, ela também vêm colecionando resultados no Júnior, que engloba atletas de até 21 anos. Em 2025, já possui três medalhas internacionais e está perto de se confirmar no Mundial da classe de idade, que acontece em novembro, no Uzbequistão.
Recentemente, Clarisse foi convocada para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026, marcados para o início de novembro. Ela será a única atleta do judô brasileiro no evento, e comemorou a classificação:
“Foi uma notícia incrível e é uma honra imensa ser a única representante do meu país no judô. Com certeza estarei preparada para o que der e vier”.
Clarisse faz 16 anos em outubro e é atleta do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), orientada pelos senseis Rosicleia Campos, Renan Moutinho, Walter Matheus e Murilo Gouveia. Carioca, começou no judô aos quatro anos de idade pelo incentivo do pai e do avô, também judocas, no projeto social Samurais do Morro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, com os professores Cláudio Carelli e André Silva.
Sua segunda medalha no Mundial Cadete foi a 42ª da história do judô brasileiro e o nono ouro. Na campanha deste ano, fez companhia ao bronze de Ana Mikaele Alcântara (-40kg), conquistado no primeiro dia de competição. Mas a conta ainda pode aumentar neste domingo (23), com a disputa por equipes encerrando o evento.
O Brasil estreia contra o vencedor de Equador x Canadá, já nas quartas-de-final, a partir das 13h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo da Judo TV.
Yago Mello e José Paulo Pereira ficam sétimo lugar, e outros brasileiros caem nas preliminares
O Brasil ainda teve outros oito representantes neste terceiro e último dia de competição individual. Depois de Clarisse, os melhores resultados vieram com Yago Mello (-81kg) e José Paulo Pereira (+90kg), que ficaram em sétimo lugar.
Yago primeiro venceu Thiago Lucero, da Argentina, por ippon, e Chieh-Tung Chang, da Taipé Chinesa, por waza-ari. Nas quartas, o brasileiro foi superado pelo húngaro Ivan Nikolchev com um yuko no último segundo e, na repescagem, foi imobilizado pelo esloveno Aleks Krivec, depois medalhista de bronze.
No peso mais pesado entre os homens, José estreou vencendo o mongol Omar Rasol de virada, revertendo a desvantagem de um yuko para um ippon ainda no primeiro minuto de luta. Em sequência, nas quartas, ele foi mandado para a repescagem pelo cazaque Adilzhan Zhaudinov, mais tarde campeão da categoria. Já na rodada seguinte, bateu na chave-de-braço do croata Marko Vujica, medalhista de bronze.
Ainda no masculino, Davi Medina (-81kg), Heitor Sousa (-90kg) e Marcus Mota (+90kg) se despediram do Mundial na primeira luta.
No feminino, Maria Resende (-70kg) venceu a estreia contra Tsai-Hsuan Hung nas punições, e nas oitavas caiu para a belga Valerie Tombou, adversária de Clarisse na final. Já no +70kg, Caroline Ohonishi e Yasmim Silva foram eliminadas no combate de estreia.
Neste domingo (23), na competição por equipes, a delegação brasileira terá 12 atletas: Giovanna Imhof (-48kg), Micaela Santos (-48kg), Gabriela Pereira (-63kg), Manuela Maia (-63kg), Caroline Ohonishi (+70kg) e Yasmim Silva (+70kg), no feminino, e Rafael Falcão (-60kg), André Dodero (-60kg), Davi Medina (-81kg), Yago Mello (-81kg), Heitor Sousa (+81kg) e José Paulo Pereira (+81kg), no masculino.
A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.