CBJ se destaca na captação de parcerias
Com dificuldades de aportar investimentos, há quem veja a Copa do Mundo de futebol de 2014 como um entrave para empresas darem atenção ao esporte olímpico. Quem iniciou o trabalho de prospecção muito antes de o Brasil ser o país-sede dos Jogos, porém, conquistou maior capacidade de conquistar apoiadores. É o caso da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), que começou um projeto de captação de parceiros nos Jogos de 2004, em Atenas.
Os primeiros investidores foram Infraero, Mizuno e Scania. Somaram-se Cielo e Bradesco para os Jogos de Pequim; para Londres, a Sadia entrou no rol de patrocinadores.“Temos aproveitado a vinda da Olimpíada ao Brasil com propriedade. Vamos anunciar, neste mês, outro patrocinador do mesmo porte. Tem funcionado porque construímos relações com empresas que partilham dos nossos valores e vice-versa. Nossa projeção é fechar 2013 com R$ 32 milhões em patrocínios”, afirma o diretor de Marketing e Eventos Internacionais da CBJ, Maurício Santos. Em 2012, a soma foi de R$ 28 milhões. As nove medalhas olímpicas (oito bronzes e o ouro de Sarah Menezes), ajudaram.
A Olimpíada do Rio começou há oito meses, quando o prefeito fluminense Eduardo Paes recebeu a bandeira com os anéis olímpicos na Cerimônia de Encerramento dos Jogos de Londres. De lá para cá, no caixa do comitê organizador do evento brasileiro (Rio 2016), os investimentos crescem acima do esperado, mas nem todos têm conseguido seguir a prospecção de investidores na mesma proporção.Quando estudava a possibilidade de escolher o Rio de Janeiro como cidade-sede, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tinha uma ressalva: considerava que o fato de o Brasil receber dois grandes eventos – a Copa, em 2014, dois anos antes dos Jogos – poderia dificultar a captação de recursos e patrocinadores. O secretário do Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, não considera o Mundial de futebol como concorrente. “O que vemos são duas coisas distintas. Há um grande investimento privado, mas ainda fica abaixo do necessário”, reconhece.O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 tem uma avaliação positiva: o processo de captação de patrocinadores também vai muito bem. “Já ultrapassamos o que os Jogos de Londres haviam negociado no mesmo período. Sempre houve a certeza de que a economia brasileira tinha capacidade de acomodar os dois eventos. O resultado é o sucesso até agora obtido com seu plano comercial, que já superou a previsão inicial de receitas”, informou a entidade.
A opinião de que tudo vai bem não é consenso. “Para ser honesto, não houve nada de relevante na movimentação do mercado privado, além da definição do Itaú investindo na Copa e do Bradesco patrocinando os Jogos. A Nissan também mostrou sua cara ao apoiar a Olimpíada, mas porque será a fornecedora de transporte do evento. Não tem nenhuma grande movimentação dentro do mercado esportivo”, avalia o diretor da divisão de Esportes da Nielsen Brasil, Rafael Plastina.
A ginasta Daniele Hypólito, que planeja chegar à sua quinta disputa olímpica em 2016, usa sua própria história como exemplo de que os investimentos para a preparação dos Jogos não tem chegado como se esperava. “Existe motivo para preocupação. A prova é que, mesmo defendendo um clube na sede dos Jogos de 2016, o Rio de Janeiro, fomos mandados embora [do Flamengo, em abril] e ainda não conseguimos um novo clube, um novo investidor”, fala.
Outros exemplos são a seleção de nado sincronizado, parte da equipe de atletismo e a seleção de ginástica artística, que perderam seus locais de treino. As duas primeiras modalidades foram afetadas pelas obras do Estádio Maracanã, para a Copa: o estádio Célio de Barros, do atletismo, foi demolido para dar lugar a estacionamentos. O Parque Aquático Julio Delamare está interditado e pode seguir o mesmo rumo. Já a ginástica perdeu o Centro de Treinamento criado no Velódromo do Rio, em reformas para a Olimpíada.
Os nadadores da seleção levaram mais tempo que o habitual para fechar novos contratos com os clubes neste ano. As principais empresas a anunciar investimentos no esporte foram as estatais, como Caixa Econômica, renovando seus compromissos com as confederações. Nove estatais apoiam 22 modalidades.
No final de abril, o ginasta Arthur Zanetti recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) equipamentos de musculação e de ginástica para auxiliar seus treinamentos em busca da segunda medalha olímpica. Mas isso só aconteceu depois de declarar publicamente que pensava em competir por outro país, frustrado com a falta de apoio. “A procura de patrocinadores deve aumentar no segundo semestre, já que estamos no primeiro ano do ciclo olímpico, um período de transição. O Arthur já tinha o apoio da Sadia e da Caixa antes de ganhar o ouro [nas argolas em Londres]. Depois, fechamos apenas com a Nike. Se está difícil para um campeão olímpico, imagina para os outros?”, diz o técnico do ginasta, Marcos Goto.
*Com informações do jornal Gazeta do Povo.