Bronze de Walter Carmona nos Jogos de Los Angeles 1984 completa 30 anos
Num dia oito de agosto de 1984, há exatos 30 anos atrás em Los Angeles, Walter Carmona chegaria à maior glória de sua carreira: o bronze olímpico. Com uma postura clássica e um Tai-Otoshi arrasador, talvez o melhor já visto no Brasil, o paulista com seu bigode clássico passaria ainda pelo egípcio Atif Hussain e pelo sueco Michel Grant antes de derrotar o britânico Densign White na disputa de medalha.
“Poucos sabem mas o segredo do meu Tai-otoshi era meu Ouchi-gari”, contou Carmona em entrevista à Judô em Revista.
O ouro ficou com o austríaco Peter Seisenbacher, a prata para o americano Robert Berland, que derrotou Carmona na semifinal, e o outro bronze ficou com o japonês Seiki Nose, que já era 6º Dan nos Jogos. Quando conquistou o bronze, Walter Carmona tinha 27 anos. Treinava cinco horas por dia, cursava o quinto ano de Engenharia na Universidade Mackenzie e era financiado pelo pai, Pedro José Carmona, dono de uma fábrica de molas em São Paulo. O pódio olímpico rendeu a honra de ser porta-bandeira nos Jogos de Seul em 88.
“Levar a bandeira foi único. Lembro que fiquei tão nervoso que meus colegas para eu parar de andar como se estivesse marchando. Estava muito tenso”, disse o medalhista de bronze no Mundial de Paris em 1979.
Carmona começou a praticar judô aos 6 anos de idade. Aos 12, já era campeão estadual. Nas Olimpíadas de Moscou, em 1980, quase chegou ao pódio, mas acabou derrotado pelo alemão-oriental Detlef Ultsch. Depois de sua aposentadoria como atleta, chegou a ser técnico da seleção feminina por um breve período. Naquela época, não havia um trabalho específico para as atletas, bem diferente de hoje.
“É gratificante ver o judô brasileiro, tanto no feminino quanto no masculino, fazendo sucesso”, disse o tetracampeão pan-americano.
Ele, Luiz Onmura e Douglas Vieira fizeram parte da geração de ouro que quebrou um jejum de 12 anos sem medalhas olímpicas para o esporte.
Parabéns professor!