Brasil conquista mais quatro medalhas e termina como a seleção que mais medalhou, ao lado da Rússia
Hugo Pessanha volta às competições conquistando prata e seleção termina o Grand Prix de Miami com oito medalhas totais
Mesmo com um grupo jovem e alguns atletas mais experientes buscando recuperar ritmo de luta, o Brasil foi, ao lado da Rússia, o país que mais arrebatou medalhas no Grand Prix de Miami. Foram oito: três de prata e cinco de bronze. Neste domingo, mais quatro pódios para a seleção brasileira: com Hugo Pessanha, Rafael Buzacarini, Mauro Moura e Walter Santos.
Um ano após sua última competição pela seleção brasileira, Hugo Pessanha chegou a Miami num clima de estreia para valer em sua nova categoria, a até 100kg. Conforme o certame foi se desenrolando ficou claro que Hugo voltou a ser aquele atleta com capacidade de alcançar resultados importantes. Em seus três primeiros combates, o brasileiro não deu chances aos adversários – o americano Ajax Tadehara, o cubano Jose Armenteros e o mexicano Sergio Garcia -, aplicando Ippon em todos; na semifinal, a “vítima” foi o canadense Dilyaver Sheykhislyamov, por um Yuko; na decisão, Hugo, 48 do Ranking, não levou sorte e acabou caindo para Zafar Makhmadov, 44 do mundo, por Wazari.
Rafael Buzacarini foi outro brasileiro a medalhar na categoria até 100kg. Na estreia, Ippon contra o chileno Italo Cordova; na sequência, novo Ippon, desta feita, sobre o checo Radek Hecl; nas semifinais, Buzacarini acabou derrotado, por Makhmadov, por Wazari; e na luta pelo bronze, nova vitória, por um Yuko, após dominar todo o combate contra o argentino Hector Campos.
“A medalha de hoje significa um grande passo dentro da minha carreira internacional, pois é a primeira medalha que conquisto pela seleção. Já tinha ido bem em outras competições, mas faltava medalhar. Essa conquista me dá grande motivação para o futuro e eu sei que tenho capacidade de chegar em outras conquistas importantes”, enfatizou Rafael Buzacarini.
Mauro Moura (81kg) foi o primeiro brasileiro do dia a receber medalha. Logo na primeira luta do bloco final, Mauro venceu Altanbagana Gantulga (MGL) por Ippon e garantiu sua medalha de bronze. O caminho do atleta de 23 anos para chegar ao pódio teve outros dois Ippons, sobre Alain Aprahamian (URU) e Joshua White (EUA), e, ainda, vitória versus Eoin Coughlan (AUS ) e derrota na luta final da fase preliminar contra Tuvshinjargal Gan (MGL).
“O resultado foi muito dentro das minhas expectativas por todo o esforço e dedicação que eu sempre tive. O sabor de uma medalha como essa é tão bom que eu nem consigo explicar em palavras, pois você lembra de tudo que passou para chegar até aqui. Mas isso tudo sempre pensando que essa competição já passou e, agora, tenho de me dedicar cada vez mais”, disse o medalhista Mauro Moura.
Entre os pesados, Walter Santos manteve seu histórico recente de sempre chegar ao bloco final. E, numa luta emocionante, o sétimo melhor atleta da categoria no Ranking da FIJ aplicou um Ippon sobre o número doze do mundo, Oscar Brayson (CUB). Antes, Walter já havia passado por Benjamin Harmegnies (BEL); na sequência, porém, acabou levando azar sobre o sul-coreano Soo-Whan Kim, que venceu pelo golpe perfeito; na repescagem, Walter, além do Ippon aplicado contra Brayson, já havia feito o mesmo na luta anterior, contra o australiano Jake Andrewartha.
Os outros brasileiros que lutaram neste domingo não conseguiram chegar ao bloco final. Felipe Costa (81kg), caiu logo na estreia, ante a Altanbagana Gantulga (MGL); Bárbara Timo (70kg) triunfou na luta inicial, contra a americana Leah Fisher, por Ippon, mas caiu na sequência para a japonesa Haruka Tachimoto, número 11 do Ranking da FIJ; Eduardo Santos (90kg) venceu o combate inicial contra o dominicano Cristian Gomera, mas não levou sorte na luta seguinte, versus o americano Jacob Larsen; e Daniel Hernandes, assim como Hugo Pessanha, voltando à seleção, perdeu na estreia contra o jovem romeno Daniel Natea, atleta em ascensão, por Ippon.
“A equipe que foi a Miami é, em sua grande maioria, muito jovem, com a adição de alguns atletas mais experientes que foram em busca da recuperação de seu ritmo de combate. Levando isso em consideração, foi muito bom. Claro que o Brasil atingiu um patamar onde sempre esperamos pelo menos uma medalha de ouro. Então, faltou o ouro. Mas com o Mauro no pódio, o Hugo - que talvez em ritmo tivesse ganho, retornando bem - fica evidente que a estratégia deu certo. Todos os atletas que lá estavam irão melhorar”, analisou o gestor técnico da seleção brasileira principal, professor Ney Wilson.
Agora, a seleção passará por um período de treinos antes de embarcar para o Continental Open, em San Salvador, El Salvador, que transcorrerá nos dias 22 e 23 de junho.
Foto: ijf.org