Branco Zanol faz balanço do judô em Londres
Ouro no feminino, medalhas no peso ligeiro e peso pesado no masculino, são conquistas inéditas para o nosso esporte. Nas Olimpíadas, a categoria meio pesado continua sendo a mais vencedora com quatro medalhas dos seguintes atletas: Chiaki Ishii, Douglas Vieira e duas medalhas do Aurélio Miguel.
É importantissimo o feito inédito de Felipe Kitadai nesta Olimpíada, por ser a primeira medalha, pois incentivará muito os atletas de sua categoria. Isso é comprovado na categoria meio leve, já que o Henrique Guimarães foi bronze nas Olímpiadas de Atlanta e o Rogério Sampaio foi ouro na mesma categoria quatro anos antes, ou seja, um atleta incentivou ainda mais o outro na conquista de medalha olímpica. Além disso, tivemos o caso de Flávio Canto que foi bronze em Atenas 2004 na categoria meio médio e Tiago Camilo também foi bronze na olimpíada seguinte.
O judoca Walter Carmona foi sempre uma referência na categoria médio, influenciando, eu e Carlos Honorato a termos grandes ambições nessa categoria. Assim, quando competíamos na Europa ou qualquer outro lugar do mundo tentávamos apresentar um judô bonito sempre na busca pelo ippon.
Claro que o mais importante é vencer nas olimpíadas, no entanto se a Mayra já não tivesse vencido tantas atletas fortes durante o ciclo olímpico não teria chegado com essa enorme confiança em Londres. Essa confiança é construída durante a caminhada, por isso é importante fazer um bom ciclo olímpico. Não precisa ser o primeiro do ranking, mas tem que se sentir em condições de vencer qualquer um da categoria. Para conseguir chegar nesse nível de confiança é necessário ter o máximo de atletas de alto potencial na categoria no Brasil.
Fazer um bom ciclo olímpico mostra-se importante no resultado recente de Felipe Kitadai, pois ele conseguiu vencer o japonês Nomura há alguns anos atrás. Lembrando que esse atleta é um fenômeno no judô, pois é o único judoca que conquistou três ouros olímpicos e ídolo de toda uma geração. Podem ter certeza que essa vitória do nosso Felipe fez muito bem para ele, trazendo muita confiança e força.
Recapitulando os feitos inéditos em Londres, tivemos a quinta colocação de Maria Suelen Autheman no peso pesado feminino. Essa conquista já trouxe um outro padrão para a categoria no Brasil, pois a partir de agora as atletas brasileiras vão passar a ter mais confiança para os próximos campeonatos. Além disso, tivemos o feito inédito do Rafael Silva no categoria peso pesado masculino. Pode até parecer um clichê Rafael, e é viu, mas eu já sabia que conseguiria. Pois lembra-se que eu falava olhando nos seus olhos, nas poucas oportunidades que nos encontramos no tatame, que você é merecedor do nosso respeito por ser humilde e dedicado, a cara do Projeto Futuro. Parabéns ao sensei Hatiro que tem o Rafael como um filho, parabéns ao sensei Garcia e todos os amigos do Ibirapuera.
Sabemos que em muitas ocasiões o esporte nos faz passar por momentos de dor e tristeza, momentos que precisamos de muita sabedoria para amadurecer e não se revoltar contra a vida. Esta é a maior de nossas aventuras e a mais bela de todas as poesias. Claro que sempre teremos encontros e desencontros, mas acompanhados de caminhos maravilhosos para serem vividos e sentidos com verdade e paixão. O importante é ter paixão em tudo o que se faz.
Os atletas Leandro Guilheiro e Tiago Camilo são brasileiros que juntos somam quatro medalhas olímpicas. Leandro Cunha e Luciano Corrêa são outros dois que somam quatro medalhas em mundiais. Estes atletas já foram diversas vezes abençoados e jamais terão motivos para não sorrir.
Nessa campanha brasileira do judô em Londres, senti muita emoção, felicidade e um leve gosto de justiça.
Toda a família CBJ fez por merecer esse resultado. Tantas viagens, vários dias longe de casa, superação a cada ano, dúvidas e ansiedade pontuando a nível de um ippon mental. Toda a equipe de apoio, nutricionistas, fisioterapeutas, técnicos e auxiliares fizeram parte desta vitória. Nenhum sucesso é por acaso!