06/09/2011 00:00:00
Seleção Brasileira - Base
Branco Zanol e um sonho multiplicado 5 mil vezes
Com o lema de "Educação no Brasil" o projeto atualmente atende 5 mil crianças em sete cidades. E vai crescer em breve. Branco deve instalar até o fim do ano sua associação em Morro Agudo, também em São Paulo. Durante os três dias de concentração e treinamento das equipes de base que vão representar a partir de sexta-feira o Brasil no Campeonato Pan-Americano e Sul-Americano Sub 17 e Sub 20, Branco esteve sempre presente aos treinos.
"Gostaria, antes de tudo, de agradecer ao presidente da CBJ, Paulo Wanderley Teixeira, em confiar no nosso trabalho e incentivar a presença da seleção brasileira em locais fora dos grandes centros. Esta oportunidade é única para as crianças e jovens de São Joaquim da Barra, que conviveram neste dias com os futuros atletas olímpicos do Brasil. Quando a gente é mais novo é egoísta e, depois de mais velho, percebemos que nem tudo é do jeito que a gente quer. Pode ser que neste grupo, algum atleta não entenda neste momento a importância de estar aqui, mas, no futuro, ele terá orgulho do legado que deixou para esta cidade. A CBJ está fazendo um grande bem para esta garotada", avalia Branco Zanol.
Para Branco, o trabalho de descentralização feito pela Confederação tem ligação direta com os princípios do mestre e criador do judô, Jigoro Kano.
"Difundir os judô pelos quatro cantos deste país é a mesma ideia que Jigoro Kano teve no passado, quando enviou quatro japoneses para ensinar judô pelo mundo. O judô é muito duro, a peneira é muito grande. Para chegar neste grupo de 64 atletas que estão indo para o Pan-Americano e Sul-Americano, o caminho foi árduo. Me lembro que no grupo que disputou comigo um Sul-Americano Sub 17 somente eu, Flávio Canto e Sebastian Pereira conseguimos representar o país em uma Olimpíada. Não é fácil", conta Zanol.
A vinda da seleção brasileira em São Joaquim da Barra é encarada por Zanol como um presente. Há 10 anos ele fundava em Guaíra, com 50 crianças, o primeiro núcleo da Associação de Judô Branco Zanol. O sonho, segundo ele, não tem limite.
"Em 2001, o valor da ajuda de custo que eu recebia mal dava para pagar as contas. Depois foram seis duros anos de espera até conseguir inaugurar o segundo núcleo, exatamente aqui em São Joaquim da Barra. Mas sempre pensei em algo maior, no bem social. A partir do segundo núcleo foi ficando mais fácil e agora estamos em sete cidades e às vésperas de inaugurar uma nova unidade. Além de Guaíra e São Joaquim da Barra, estamos em Orlândia, Nuporanga, Guará, Ipuã e Bebedouro.
A inaguração do pólo em Bebedouro, inclusive, teve a presença do campeão olímpico Aurélio Miguel, que não economizou elogios ao trabalho de Branco:
"Este projeto encabeçado pelo Branco em parceria com o Departamento de Educação de Bebedouro é um exemplo que deveria ser seguido por prefeituras, governos estaduais e federações esportivas espalhadas pelo país. Ao implementarem o judô na rede municipal de ensino de uma cidade desse porte, os agentes envolvidos equacionam a integração entre educação e esporte e criam, na prática, um modelo, mesmo que incipiente, de uma política pública de esporte que atua como componente importante no desenvolvimento educacional e social de crianças, massificando a modalidade e criando perspectivas de revelação de futuros talentos esportivos para o país".
Ao ver a estrutura que os jovens atletas da seleção têm a disposição, com diversos técnicos e fisiotepeutas, Branco se diz emocionado. Foi justamente este apoio da CBJ que ele não encontrou quando mais precisou.
"O que lamentei foi a forma como fui cortado das Olimpíadas de Sydney. Um dia eu estava na seleção e no outro, não. Recebi uma carta por debaixo da porta comunicando que eu tinha algumas horas para deixar o hotel e voltar para casa. Foi um momento muito triste. Tenho certeza de que hoje em dia isto nunca seria conduzido desta forma. Mas eram outros tempos, onde não havia esta comunicação entre o atleta e a CBJ. Fiquei dois meses sumido do mundo e cheguei a conclusão que só ganhar medalha não valia nada. Nesta hora eu mudei. Vi que o corte da olimpíada poderia ser a força que eu precisava para começar algo novo. Sou grato ao corte de Sydney, pois com ele virei uma pessoa melhor, empresário, empreendedor e educador", finaliza.
Branco Zanol competiu pela seleção brasileira entre 1993 e 2002. O adeus às competições internacionais aconteceu no tradicional torneio de Tre Torri, na Itália, onde foi vice-campeão. No total, Branco tem 25 medalhas