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19/06/2019 14:27:47
Federações

Atletas indígenas de São Gabriel da Cachoeira brilham no judô do Amazonas

Oriunda da etnia Tuyuka, a pequena Sanó Tenório dá seus primeiros ippons nos eventos organizados pela Federação de Judô do Amazonas (Fejama)

Atletas indígenas de São Gabriel da Cachoeira brilham no judô do Amazonas

No coração da floresta amazônica, a semente do judô começa a se espalhar e gerar frutos para o esporte olímpico brasileiro. A pequena Sanó Anastácia Marques Tenório, de apenas 11 anos, é um desses exemplos. Oriunda da etnia Tuyuka, a menina dá seus primeiros ippons e wazaris nos tatames dos eventos organizados pela Federação de Judô do Amazonas (Fejama) e o último foi a 1ª edição da Copa Jimenes, realizada entre os dias 15 e 16 de junho, em Manaus.

A judoca morava na Comunidade São Pedro, às margens do Rio Tiquiá, em São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus). Há três meses, se mudou para a sede do município e descobriu o esporte no Projeto “Judô para Todos”, que é apoiado pela prefeitura da cidade localizada na região do Alto Rio Negro, na fronteira com a Venezuela e a Colômbia.

Sanó morava com os pais e o avô. Na comunidade, a cunhantã não conhecia o esporte e se dedicava apenas aos afazeres domésticos, ajudando a família à sua maneira, conforme a tradição dos povos indígenas da região. Para ela, a vida era simples e boa.

“Eu fazia beiju, farinha, ia para a roça, pegava lenha e fazia caxiri (bebida fermentada feita à base de mandioca). Eu só brincava no rio. Hoje eu gosto de lutar”, contou a menina, de olhos claros e expressivos.

No mapa do esporte

Em São Gabriel da Cachoeira, nove entre dez habitantes são indígenas, sendo este o município com maior predominância de indígenas no Brasil. Além da língua portuguesa, no município são reconhecidos oficialmente três idiomas indígenas: Nheengatu, Tukano e Baniwa. 

A judoca Franciele Gama, 17, reforça sua ligação com a cultura indígena. Ela, que disputou a Copa Jimenes na Classe Sub-18 na categoria – 48 kg, tem descendência das etnias Tukano e Baré, comuns em São Gabriel da Cachoeira. Franciele também já viveu em comunidades mais afastadas da sede, como Cucuí, onde o trabalho na roça moldou a sua personalidade como atleta. Já tem uma história antiga com a modalidade olímpica e iniciou este ano sua participação nos campeonatos oficiais da Fejama.
 
“Comecei no projeto Forças do Esporte, bem novinha, ainda em 2013. Fui lá, treinei e gostei. Carregar o aturá (cesto) pesado com as mandiocas e a força que usamos para tirar a mandioca do chão, isso tudo a gente leva para o tatame, na hora de projetar uma oponente num combate”, comentou Franciele, que foi medalha de prata em sua categoria na Copa Jimenes.

Resultados

Sanó e os outros membros da delegação de São Gabriel vieram a Manaus acompanhados pelas professoras Margareth Lima e Jéssica Muller, que é a sensei do projeto Judô para Todos. O grupo formado por Sanó Anastácia, Franciele Gama, Kauan Guilherme, Pablo Vinícius e Samuel Gomes voltará para a cidade com cinco medalhas na bagagem. Na primeira competição da Fejama em 2019, a Copa Chagas, Sanó e Samuel já tinham garantido o segundo lugar em suas respectivas categorias na competição que valeu classificação para o Campeonato Brasileiro.

 

Texto e fotos: Emanuel Mendes Siqueira/Assessoria de Comunicação da Federação de Judô do Amazonas

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