Após transplante de rins, Bruno Cunha volta a competir e conquista duas medalhas de ouro
Bruno Cunha viveu em 2011 a maior luta de toda sua carreira como judoca. Aos 21 anos, o Alagoano chegou à seleção Brasileira. Ao mesmo tempo em que realizava o seu maior sonho, o corpo de Bruno lutava, sem que ele mesmo soubesse, contra uma insuficiência renal aguda. Em novembro, o judoca passou por um transplante de rins e obteve uma recuperação surpreendente.
Após ser medalhista de bronze com a equipe brasileira na Copa do Mundo de Salvador, Bruno disputou o Grand Slam do Rio de Janeiro e a Copa do Mundo de São Paulo.
Depois de lutar no evento paulista, o atleta em casa ao urinar percebeu sangue. Um dia depois do evento, já no Rio de Janeiro, Bruno procurou um urologista, que recomendou que o atleta fosse a um nefrologista, médico especializado em doença nos rins. Constatou-se que o judoca encontrava-se em estágio terminal de disfunção renal. Deu-se início a luta pela vida, pois, sabendo que teria que realizar o transplante começou a busca por doadores, e o primeiro passo foi procurar entre os familiares. Para alegria de Bruno, o seu pai, Romeu, possuía todos os pré-requisitos médicos e genéticos.
Bruno acrescenta que: “Em todos os resultados que eu conquistei até hoje no judô, estava muito doente. Antes do transplante, meus rins só funcionavam com 10% da capacidade. No primeiro momento, cheguei a ser informado que nunca mais poderia lutar e, inclusive, ficaria estéril. Mas, realizei o transplante com uma técnica nova voltada para preservar a minha carreira e hoje sou uma pessoa saudável. Se consegui chegar à seleção brasileira com meu corpo debilitado, fico imaginando onde posso chegar quando estiver 100%\", diz Bruno Cunha, que acredita na luta por uma vaga nas Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016.
O caso de Bruno Cunha foi tratado de forma especial pela equipe do Dr. Eduardo Rocha. O atleta não apresentou qualquer sinal da doença, nem antes ou depois do transplante.
A volta ao mundo das competições ocorreu neste sábado, dia 17 de agosto de 2013, e foi um retorno glorioso para este atleta que é exemplo para o mundo. Bruno Cunha, que depois de sofrer um transplante de rins, retorna a competir e conquista duas medalhas de ouro na seletiva para os Jogos Universitários Brasileiros nas categorias Meio Médio e Absoluto.
A emoção de Bruno contando sua experiência nos tatames contagia a todos que ouvem e muito mais a quem participou da sua trajetória.
“Muito tempo se passou desde a última vez que lutou em competição. Dia 05 junho de 2011 foi a última vez que pisei em um tatame competitivamente. E depois daquele dia a minha saga começou. Muitas experiências vividas; algumas boas, outras muito ruins. Pude ter a oportunidade de me conhecer e saber o quanto era forte a minha vontade. E que a fé, a força de vontade e o pensamento positivo sempre superarão qualquer meta oposta pelas pesquisas e certezas. Vocês podem imaginar o turbilhão de emoções que estou sentindo nesse momento. Tendo a oportunidade de estar entrando no dojô, amarrando a faixa, escutando os comandos de luta e, principalmente, “Ippon”. Meu Coração bateu muito forte nesse momento. Escutei uma vez de um Sensei, que se quiser chegar rápido, ande sozinho; se quiser chegar longe, ande acompanhado. Então nessa trajetória nada fácil, infinitas pessoas estiveram comigo, me dando confiança, coragem e motivação para nunca desistir. Queria agradecer as pessoas que estão por perto, as pessoas que estão longe. Todos vocês foram importantes demais para isso voltar a acontecer. Obrigado Família FAJU (Federação Alagoana de Judô), obrigado meus amigos irmãos, obrigado minha família de sangue. E, principalmente, obrigado a minha mãe feita de adamantium - o metal mais resistente do mundo, indestrutível, que existe no mundo da franquia de ficção X Man. E obrigado pai, fomos campeões juntos, pois você esta dentro de mim. Eu não desisto nunca\", completou o herói da vida real, Bruno Cunha.
Com informações e foto de faju-faju.blogspot.com/